País

Cancros infantojuvenis aumentaram em Coimbra em 2017

O serviço de oncologia do Hospital Pediátrico de Coimbra registou um aumento de cancros infantojuvenis em 2017, ano em que foram realizadas 4.000 consultas e efetuados 480 internamentos, disse à agência Lusa a diretora Fátima Heitor.

Segundo a especialista, os linfomas e as leucemias estão a aumentar, enquanto o número de tumores sólidos (em órgãos) se mantém estável.


"Tenho a impressão que o acréscimo de novos tumores se deve ao aumento dos fatores de risco ambientais, como a poluição, aliado a uma maior fragilidade das crianças e jovens aos mesmos fatores agressores", explicou.


Em 2017, de acordo com a diretora do serviço de oncologia, foram registados 70 novos casos de cancro no Hospital Pediátrico de Coimbra, que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

Aquele serviço foi criado na sequência da criação do CHUC, em janeiro de 2011, tendo alargado o seu atendimento até aos 18 anos, mas desde o final da década de 1970 que prestava cuidados diferenciados às crianças com cancro.

Omar Sanadiki/ Reuters (Arquivo)


Os dados registados em Coimbra, refere Fátima Heitor, indicam que os níveis de doença oncológica se encontram dentro da média nacional.


De acordo com o registo oncológico, todos os anos cerca de 400 crianças e jovens são diagnosticadas com cancro em Portugal, doença que continua a ser a primeira causa de morte não acidental na população infantojuvenil, apesar dos grandes progressos a nível do diagnóstico e tratamento.


No sábado, o Hospital Pediátrico de Coimbra recebe o 4.º Seminário Oncologia Pediátrica, organizado pela Fundação Rui Osório de Castro, destinado a pais, familiares e amigos de crianças com cancro, que se realiza pela primeira vez fora de Lisboa.


"Este ano decidimos ir para Coimbra e no próximo para o Porto, pois a ideia é estarmos cada vez mais perto dos doentes e proporcionar um ponto de encontro de toda a comunidade que trabalha ou que tem, de alguma forma, a ver com o cancro infantil", disse à agência Lusa Cristina Potier, diretora-geral da instituição.


Com base no "feedback" e testemunhos dos pais, o seminário vai discutir este ano "quase todo o processo de tratamento de uma criança", desde o internamento, o regresso a casa e ao dia-a-dia e a investigação em oncologia pediátrica.


Segundo Cristina Potier, vão também ser abordadas "todas as questões que têm a ver com o pós-doença: as possíveis sequelas, a parte social, o regresso à escola e à vida normal", com a participação da pediatra Ana Teixeira, que é a responsável pela única consulta que existe em Portugal para sobreviventes de cancro infantil.

Lusa

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