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Homem que atropelou adepto italiano junto ao Estádio da Luz vai ser libertado

Sergio Perez

O homem acusado de atropelar mortalmente o adepto italiano Marco Ficini, junto ao Estádio da Luz, em Lisboa, em abril do ano passado, vai ser "libertado de imediato", disse esta sexta-feira o seu advogado à agência Lusa.

Carlos Melo Alves disse que Luís Pina, em prisão preventiva desde 29 de abril, "vai ser libertado de imediato", porque não foi proferida decisão instrutória no prazo máximo de dez meses, após a data em que lhe foi aplicada a medida de coação de prisão preventiva.

Esse prazo de dez meses terminou na quinta-feira, 1 de março, e a instrução - fase facultativa e que visa confirmar a acusação do Ministério Público ou o arquivamento do processo --, requerida pelo arguido, só começa em 20 de março no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

No Requerimento de Abertura de Instrução (RAI), a que a Lusa teve acesso, o arguido diz que "nunca teve intenção" de atropelar e "muito menos matar um ser humano", pedindo para não ir a julgamento. O advogado de Luís Pina refere ainda no RAI que a acusação do Ministério Público (MP) "prima por uma nítida parcialidade na análise das provas e na interpretação dos factos" e "faz tábua rasa de todo um circunstancialismo que rodeou os acontecimentos".

O MP acusou em outubro 22 arguidos (10 adeptos do Benfica com ligações aos No Name Boys e 12 adeptos do Sporting da claque Juventude Leonina): Luís Pina está acusado do homicídio de Marco Ficini e de outros quatro homicídios, na forma tentada, enquanto os restantes arguidos estão acusados de participação em rixa, dano com violência e omissão de auxílio.

A vítima pertencia à claque do clube italiano Fiorentina O Club Settebello, era adepto do Sporting e morreu após um atropelamento e fuga junto ao Estádio da Luz, na sequência de confrontos ocorridos na madrugada de 22 de abril, horas antes de um jogo entre o Sporting e o Benfica, da 30.ª jornada da I Liga, da época anterior, no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Durante os confrontos e perseguições que se seguiram, Luís Pina atropelou mortalmente Marco Ficini, "arrastando o corpo por 15 metros", imobilizando o carro só "depois de ter passado completamente por cima do corpo da vítima", descreve a acusação, acrescentando que o arguido abandonou o local "sem prestar qualquer auxílio".

Lusa

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