País

"Sem a luz do sol somos infelizes"

Stephane Mahe

No Dia Internacional da Luz a Universidade de Lisboa lembra que a luz artificial não traz felicidade aos seres humanos, cujos corpos estão desenhados para funcionar melhor expostos à luz natural, arredada de espaços como escritórios ou centros comerciais.

A vice-reitora Isabel Rocha e o especialista em sono Miguel Meira e Cruz, da faculdade de Medicina, assinalam o dia na Incubadora da Universidade, onde estará instalado um modelo em que se junta a luz como combustível biológico à luz como elemento do mundo do espetáculo e artes, para o que conta também com a Associação Portuguesa de Festivais de Música.

"Os seres humanos são animais diurnos para os quais a luz é fundamental", afirmou Miguel Meira e Silva, que é especialista em Cronobiologia e Medicina do Sono.

Os seres humanos podem aprender com outros modelos animais, como o da 'Gonyaulax', um protozoário unicelular para quem a luz serve para controlar a aquisição de nutrientes e a "estabilidade social" que precisa para a sua sobrevivência.

É a luz do sol que estimula as células fotossensíveis e desencadeia ao longo de cada dia os mecanismos que levam ao sono, vigília e repouso e influencia a frequência cardíaca, pressão arterial, produção de urina e temperatura do corpo.

Com a falta de luz natural há "um índice maior de infelicidade" e "alterações relacionadas com a ansiedade e depressão".

A criatividade e a memória também são sensíveis à luz, afirma Miguel Meira e Cruz num comunicado a propósito do dia Internacional da Luz, notando que se sofre "cada vez mais com o encarceramento em locais fechados com acesso condicionado a claridade original", dos escritórios aos centros comerciais e até a casa de cada um.

Isso faz aumentar a prevalência "de doenças e de incapacidade", porque a falta de luz do Sol influencia "o sistema imunitário e a função cardiometabólica".

"A criatividade, memória e predisposição para dinamizar são também capacidades afetadas pela falta ou ausência de luz", indica o especialista.

Num corpo humano, as células, tecidos e órgãos também são influenciados pela luz natural, por exemplo, com as células fotossensíveis na retina, que regulam o tempo interno de cada pessoa.

Com Lusa

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