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Luís Montenegro desafia Rui Rio para eleições diretas no PSD

O antigo líder parlamentar do PSD Luís Montenegro anunciou hoje que está disponível para ser "de imediato" candidato à liderança do partido, desafiando Rui Rio a marcar eleições diretas já e a apresentar a sua própria candidatura.

"Se tem mesmo Portugal à frente de tudo, mostre coragem e não hesite em marcar estas eleições internas, não tenha medo do confronto, não se justifique atras de questões formais, o tempo é de confronto político", afirmou, num desafio direito ao líder do PSD, numa declaração sem direito a perguntas no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

"Não me resigno a um PSD pequeno, perdedor, irrelevante, sem importância política e relevância estratégica", justificou o antigo deputado.

As reações políticas ao discurso não demoraram a surgir. A vice-presidente do partido acusa Montenegro de mentir, depois de dizer que só faria oposição a Costa.

Já Paula Teixeira da Cruz nega que esta candidatura seja um golpe de Estado, dizendo que representa uma "tentativa de regeneração" do PSD.

Montenegro: de rosto do Governo de Passos a candidato a líder do PSD

Nascido em 16 de fevereiro de 1973, Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves, 45 anos, é licenciado em Direito pela Universidade Católica. Chegou a deputado aos 29 anos e foi, durante os anos da 'troika', o rosto do Governo de Passos Coelho no parlamento.


Montenegro chegou à Assembleia da República em 2002, quando Durão Barroso era presidente do PSD e primeiro-ministro, depois de ter iniciado uma carreira política que começou na JSD e passou pela Câmara Municipal de Espinho, onde foi vereador.


Entrou no PSD através da JSD de Espinho, a que presidiu entre 1994 e 1996, e foi também vereador na câmara (1997/2001). Nas autárquicas de 2005, candidatou-se a presidente do município, mas foi derrotado por José Mota, do PS.
Deputado durante 16 anos consecutivos, sempre eleito pelo círculo de Aveiro, chegou a vice-presidente do grupo parlamentar em 2010, na direção de Miguel Macedo.


Um ano depois, em junho de 2011, já após a vitória de Pedro Passos Coelho nas legislativas, candidatou-se à liderança da bancada social-democrata e foi, com Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS-PP, a dupla de defesa, na frente parlamentar, da coligação de direita durante os anos da intervenção externa da 'troika' em Portugal.


Nas disputas internas no PSD, Luís Montenegro teve opções diferentes.


Nas diretas de 2007, entre Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, foi mandatário distrital do ex-autarca de Gaia.
Em 2008, assumiu o lugar de porta-voz da candidatura à liderança de Pedro Santana Lopes, contra Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho. Em nova disputa interna em 2010 apoiou Passos Coelho, contra Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco.


Nas últimas diretas, Montenegro apoiou Santana Lopes contra Rui Rio já na reta final da campanha interna e, no congresso de fevereiro, assumiu-se como uma reserva para o futuro, depois de ter considerado, em outubro de 2017, "não estarem reunidas as condições pessoais e políticas" para disputar então a liderança do PSD, na sequência da saída de Passos Coelho. "Desta vez decidi dizer 'não'. Se algum dia decidir dizer sim, não vou pedir licença a ninguém", avisou em 17 de fevereiro de 2018, no congresso do PSD, em Lisboa.


Quando deixou o parlamento, em 05 de abril de 2018, já após a saída de Passos Coelho, Luís Montenegro afirmou, em entrevista à Lusa, que o seu desejo era que o presidente do partido fosse primeiro-ministro em 2019, considerando "um erro colossal" colocar a hipótese de Rui Rio não terminar o mandato.


Em outubro de 2018, ajudou a "travar" a realização de um congresso extraordinário, promovido por André Ventura, que, entretanto, abandonou o partido. Mas, os meses passaram e a conjuntura interna mudou.


Na quarta-feira, deu um sinal de que o seu compasso de espera no partido estaria prestes a terminar: "Muito em breve falarei sobre o estado do PSD, falarei mesmo sobre o futuro do PSD porque entendo que este estado de coisas tem de acabar e isto tem de mudar: o PSD assim não se vai conseguir afirmar", argumentou, no programa "Almoços Grátis" da TSF.

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