Contas Poupança

Quanto gasto a carregar a bateria do telemóvel?

Navesh Chitrakar

Vale a pena retirar o carregador de telemóvel da tomada quando a carga está completa? Fica a gastar ou não? E gasta quanto?

Ora aqui está um tema que se calhar interessa apenas aos “maluquinhos” da poupança, pensei eu. Curiosamente, quando abordei o tema no blogue “Contas-poupança”, quase 200 mil pessoas leram o artigo - e por isso abordo-o também aqui. É que por trás deste ínfimo pormenor está uma importante lição.

Na minha opinião, o segredo da poupança está numa coisa tão simples e ao mesmo tempo tão complicada que é: conhecimento.

Quando sabemos quanto e onde gastamos o dinheiro podemos parar de o gastar, mas sobretudo, gastá-lo melhor. Seja muito, seja pouco.

Saber quanto custa carregar a bateria do telemóvel será – podemos prever – uma parcela ridícula dos nossos gastos mensais. Pode ser quase nada, mas também pode não ser... Portanto, não descansei enquanto não descobri quanto custa realmente carregar a bateria do telemóvel todos os dias.

Como tenho em casa um aparelho que mede todos os consumos de eletricidade minuto a minuto e em tempo real, medi o carregamento minuto a minuto, durante 1 mês. Depois, na internet, posso ver o gráfico do comportamento da eletricidade de minha casa (tipo eletrocardiograma). Ando a fazer isto aparelho a aparelho.

Durante um mês registei o consumo do carregamento dos telemóveis numa determinada tomada. Por vezes só está a carregar 1 telemóvel, às vezes 2 e noutras situações também está a carregar um pequeno tablet. Portanto, estes dados referem-se – nos picos – ao carregamento de 3 aparelhos. Na foto abaixo tem o “eletrocardiograma” desses carregamentos. Em muitas situações – diria a maior parte do tempo – só estão os carregadores na tomada sem carregar nada. Não me dou ao trabalho de os retirar (há quem o faça).

Multiplicando esse consumo por €0,20 (o valor com IVA do kWh que pagamos em média na fatura da luz) dá a “fantástica” quantia de € 0,0168. Ou seja, não chega – no máximo – a 2 cêntimos por dia. Na maior parte dos dias, não chega a um cêntimo. Dá menos de 50 cêntimos por mês.

Portanto, em resumo: desligar o carregador da parede ou da tomada parece-me uma poupança negligenciável. Ou seja, pode fazê-lo, mas o consumo de carregar o telemóvel é tão pequeno que diria que não dá para o esforço de o retirar da tomada cada vez que o carregamento fica completo. Se fizer questão de o fazer por razões ambientais ou outras, obviamente que há benefícios para o planeta. Todos os desperdícios são maus. Mas do ponto de vista puramente financeiro, não me parece relevante.

Neste caso específico, fazer as contas ao detalhe permite-me decidir para onde devo dirigir os meus esforços de poupança.

Saber ao cêntimo quanto gasto por deixar o computador ligado em casa todo o dia e toda a noite, quanto gasta o forno lá de casa, em comissões bancárias, em seguros da casa, de vida e do carro, em combustíveis, em comer fora, em impostos, em água, em estacionamento, em coisas pequeninas, quanto estou a pagar de spread ao banco, quanto ganho e quanto gasto por mês. Tudo isto é apenas o princípio de um longo caminho que pode – ao contrário do que muitos pensam – tornar a sua vida melhor.

Porquê? Porque pode (re)direcionar as suas contas para o que realmente lhe interessa e dá prazer. Quando somos nós a decidir para onde vai o dinheiro é sempre melhor do que chegar ao fim do mês e verificarmos que foram os outros a levar-nos o dinheiro para onde eles quiseram.

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