Grande Reportagem SIC

Sangue Azul

Descendem de gente que dá nome a praças e ruas e têm mais apelidos que dedos numa mão. Uns vivem em palácios, outros lamentam o património perdido. Há quem exiba sem parcimónia os pergaminhos e quem prefira resguardar as origens. Quase todos monárquicos, todos traçam de cor a árvore genealógica da família. São duques, duquesas, marqueses e marquesas, condes e condessas.

"Pertencer a uma família tradicional, é algo que se sente nos genes e que se bebe com o leite materno desde o berço. Não digo que seja melhor ou pior. É como ter os olhos castanhos ou azuis, é assim" . A definição é de Augusto Duarte de Andrade Albuquerque Bettencourt de Athayde, Dom Augusto como gosta de ser tratado. O conde de Albuquerque tem um título nobiliárquico recente, mas fala constantemente do passado e dos antepassados.



Diana Mariana Vitória Álvares Pereira de Melo integra uma família que, na última dinastia, esteve na primeira linha de sucessão da coroa. Aos 29 anos é duquesa do Cadaval. Ao título que herdou com a morte do pai, o casamento com o neto dos condes de Paris há-de somar outros dois: duquesa de Anjou e princesa de Orleans. Diana vive no Estoril e tem um palácio como casa de férias.



Ao contrário da duquesa do Cadaval , ao marquês de Abrantes só resta o título. O património material da família, que foi uma das mais nobres e abastadas do reino, perdeu-se no início do século passado. As dívidas ao jogo terão levado o bisavô de José Maria da Piedade de Lencastre e Távora a vender o palácio de Santos, actual embaixada de França, que hoje poderia ser do ilustrador. Conta que os pais são "uma espécie de Romeu e Julieta que se revingaram" . A mãe de José Távora é descendente do marquês de Pombal, o pai é da linhagem dos Távora, a família que o ministro do rei mandou matar. "O marquês de Pombal foi uma versão antiga dos filmes do padrinho" .



Nas contas dos genealogistas há mais de 300 mil portugueses que descendem de famílias nobres e cerca de 500 títulos nobiliárquicos autenticados pelo Instituto da Nobreza, uma entidade criada pelo actual duque de Bragança. Um processo que o Estado não reconhece e a que a instauração da República pôs fim. Há já 100 anos que deixou de ter existência legal a herança que alguns ainda sentem perpetuada nos genes.
















Grande Reportagem: "Sangue Azul"

Jornalista: Susana André

Imagem: Fernando Silva, Pedro Góis, Vitor Quental

Montagem: Marco Carrasqueira

Grafismo: Cláudia Ganhão

Produção: Isabel Mendonça e João Nuno Assunção

Coordenação: Cândida Pinto

Direcção: Alcides Vieira
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