Vida

Um em cada cinco trabalhadores sofre de perturbações mentais, revela relatório da OCDE

Um em cada cinco trabalhadores sofre de perturbações mentais, como depressão ou ansiedade, revela um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) sobre problemas de saúde mental no local de trabalho divulgado hoje. 

Resultados do relatório "Doença no trabalho? Mitos e realidade sobre saúde mental no trabalho"

Resultados do relatório "Doença no trabalho? Mitos e realidade sobre saúde mental no trabalho"

© Yves Herman / Reuters

O relatório, intitulado "Doença no trabalho? Mitos e realidade sobre saúde mental no trabalho", revela que as doenças mentais são um problema crescente no local de trabalho e estão a afetar a produtividade das empresas.

Segundo o estudo, três em cada quatro trabalhadores com transtorno mental apresentam uma baixa da produtividade no trabalho, contra um em cada quatro funcionários sem este tipo de problemas.  

As faltas ao trabalho também são muito mais frequentes nos trabalhadores com estas doenças, refere o relatório, acrescentando que nos países da OCDE, entre 30 a 50 por cento dos novos pedidos de pensão por invalidez são provocados por problemas de saúde mental.  

Por outro lado, apenas 55% a 70% das pessoas com problemas mentais conseguem um emprego, sendo a taxa de empregabilidade de 60% a 85% entre as pessoas com saúde. 

As pessoas com transtorno mental têm uma probabilidade de estar desempregadas  duas a três vezes mais do que outra pessoa sem este tipo de problema, uma  situação com repercussões na economia, mas também nas próprias pessoas e  familiares. 

A crescente insegurança no trabalho e a pressão das empresas sobre os trabalhadores pode fazer aumentar os problemas de saúde mental nos próximos anos, alerta a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Segundo a organização, a percentagem de trabalhadores expostos ao stress ou à tensão no local de trabalho aumentou nos últimos 10 anos em todos os países da OCDE. 

Também a actual situação económica leva a que as pessoas fiquem mais preocupadas com a sua segurança no emprego. 

O estudo defende uma intervenção precoce para evitar este tipo de situações, alertando que metade dos problemas mentais surge na adolescência e que, em muitos países, há cada vez mais jovens a receber pensões de invalidez, após estarem pouco tempo empregados.  

A OCDE defende ainda a necessidade de uma nova abordagem, principalmente nas empresas, o que inclui boas condições de trabalho para reduzir e gerir melhor o stress. 

O acompanhamento sistemático do trabalhador que está de baixa devido à doença, ajudar os empregadores a reduzir os conflitos no trabalho e assim evitar despedimentos desnecessários causados por estes problemas", são outras medidas apontadas pela OCDE. 

Lembra ainda que os problemas mentais mais comuns têm tratamento, aumentando significativamente a possibilidade da pessoa conseguir arranjar um trabalho. 

Contudo, na maioria dos países, os sistemas de saúde estão direccionados para o tratamento de doenças mentais graves como esquizofrenia, que representam apenas um quarto dos doentes. 

De acordo com a OCDE, quase metade das pessoas com doença mental grave e mais de 70% das pessoas com um distúrbio mental moderado não estão a receber qualquer tratamento.  

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