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27.05.2011 11:40
Monção: Bombos, caixas e gaitas integram ópera popular com 200 participantes
Viana do Castelo, 27 mai (Lusa) - Uma ópera popular, invocando Deu-La-Deu Martins, heroína de Monção, vai ser apresentada no sábado nas muralhas da vila, contando com a inédita participação de 200 pessoas, inclusive grupos de bombos e gaitas de foles.
Viana do Castelo, 27 mai (Lusa) - Uma ópera popular, invocando Deu-La-Deu Martins, heroína de Monção, vai ser apresentada no sábado nas muralhas da vila, contando com a inédita participação de 200 pessoas, inclusive grupos de bombos e gaitas de foles.
"A música foi feita a pensar nestes elementos, que obviamente não sabiam ler música. É a partitura que vai ao encontro deles", explicou à Agência Lusa o maestro e compositor, Jorge Salgueiro.
Trata-se do primeiro ato da ópera Deu-La-Deu, encomendada pelo município para assinalar os 750 anos da outorga do Foral Afonsino a Monção e que será apresentada nas muralhas dos Néris, junto ao rio Minho, no sábado, pelas 21:30.
Invoca o período das invasões espanholas e a "ação meritória" de Deu-la-Deu Martins, uma mulher que "salvou o burgo", atirando pães para o exterior das muralhas, fazendo acreditar os invasores que haveria fartura no interior.
Este primeiro ato terá uma duração de 50 minutos e a Interpretação fica a cargo de Inês Madeira, no papel de Deu-la-Deu Martins, além de Mário Redondo e Zulmira de Carvalho.
No entanto, o destaque vai para os 200 participantes populares que fazem a sua estreia nestas andanças.
"Há pessoas que estão no campo até às 20:00, vão ensaiar até à meia-noite e às 05:00 já estão na lavoura outra vez. Isso foi o que mais me sensibilizou", contou o maestro.
Os ensaios têm decorrido de forma mais intensa nas últimas duas semanas, sendo a apresentação de sábado uma parte da peça, a apresentar na íntegra, a 12 de agosto.
"Há quem tenha desistido, achavam que não seriam capazes de o fazer. Por isso, esta primeira apresentação, será também uma forma de mostrar as capacidades destas pessoas e de os preparar para a ópera integral", acrescenta Jorge Salgueiro.
A ópera está dividida em dois grandes grupos. De mulheres, simbolizando o povo de Monção -- já que os homens combatiam pelo Rei noutros locais -, e o exército espanhol, apenas com homens.
Quatro grupos corais (Pias, Riba de Mouro, Santa Luzia de Moreira e Deu-la-Deu) vão ter os seus elementos femininos no grupo do povo de Monção, enquanto que "do outro lado" cerca de 40 elementos dos grupos de bombos de Abedim, Mazedo, Troporiz e Pias vão "tocar e marchar" representado o exército invasor.
"Os grupos corais têm algum conhecimento das partituras mas os elementos dos bombos, das caixas e das gaitas não. Por isso, sendo uma ópera comunitária, envolvendo muita gente num espaço gigantesco, foi construída a partir daquilo que as pessoas conseguem fazer, dos seus conhecimentos", sublinhou o maestro e compositor.
Toda a envolvente musical da ópera ficará ainda cargo das duas bandas de música do concelho, Monção e Tangil.
Com texto de Jorge Vaz Nande e encenação de Luís Filipe Silva, o espetáculo tem composição musical do Maestro Jorge Salgueiro e coordenação artística da companhia de teatro Comédias do Minho.
PYJ.
Lusa/Fim.
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