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Perfil

Joaquim Franco

Joaquim Franco

Jornalista

  • Entre a morte e o amor

    Opinião

    Apesar da rapidez da era digital, da velocidade, de uma comunicação revelada em deslumbramento, há um calendário que reclama o tempo da tradição, da memória. Neste espaço, que é o nosso, de uma cultura com pilares nas narrativas cristãs, reafirma-se por estes dias a morte como valor. Não como mera inevitabilidade, mas como valor.

    Joaquim Franco

  • O Desporto e a Fé, entre o Euro e os Jogos

    Joaquim Franco

    A competição desportiva tem, na sua origem, uma dinâmica religiosa. De transcendência e de ética. A virtude – arete – do atleta vê-se pela sua capacidade de superação. Pelo encontro e desencontro com os (im)possíveis. O atleta prepara-se, com técnica e tática. Mas nem tudo depende dele e ele sabe disso. Na competição desportiva, o acaso é sorte ou azar dependendo do ponto de vista. Nos jogos clássicos, os gregos resolveram este problema que tanto intriga quem se esforça. Todos eram heróis, embora a glória viesse da vontade dos deuses. O melhor, o mais bem preparado, estaria sempre mais próximo da vitória, nos jogos olímpicos ou na odisseia de um combate bélico, mas a intervenção divina podia alterar o desfecho. Fora assim nas batalhas épicas entre gregos e troianos, era assim no terreno da competição desportiva. A esperteza de Ulisses foi inspirada no desespero de um deus feito homem com sede de vingança.

    Joaquim Franco

  • Brexit de longo alcance

    Joaquim Franco

    Cerca de 52% dos britânicos, ingleses sobretudo, decidiram sair do espaço da União Europeia. Torna-se evidente que o projecto da União não é uma inevitabilidade, mas uma opção. As consequências políticas, económicas e financeiras começaram imediatamente a desenhar-se. Mas há outros impactos, menos visíveis na percepção mediática e imediata.

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  • A beleza última da relação

    Joaquim Franco

    O fruir e o usufruir da beleza pressupõe códigos. Na contingência humana, implica a disponibilidade dos sentidos. Mas a natureza primordial está antes dos códigos e vive para lá dos sentidos. Quando acendemos uma vela em casa por falta de eletricidade, é um incomodo. Quando uma vela se junta a outra e a outra, cria-se um novo cenário que muda a perceção. O contexto carrega uma intencionalidade que há-de alinhar-se com uma ideia, permitindo a experiência da beleza.

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  • Marcelo e a Liberdade Religiosa

    Joaquim Franco

    A mais antiga procissão do Senhor dos Passos em Portugal teve entre os fiéis participantes o “eleito” Presidente da República. À porta da igreja de São Domingos garantiu, questionado pela SIC, que vai continuar a participar em manifestações públicas de fé, “a título pessoal”. Não sendo um estado confessional, “todos os que têm responsabilidades podem exercer a sua liberdade religiosa”, explicou.

    Joaquim Franco

  • "Não se deixe engordar!"

    Joaquim Franco

    Por prudência, fui mais cedo. Havia a promessa de um jantar e era melhor conhecer o ambiente, perceber os objetivos da conferência. O "professor Marcelo" seria a figura central da noite. Recordo o momento da chegada dele à igreja de Algueirão. Quando entrou, cumprimentou toda a gente. Na verdade não teria como não o fazer. Toda a gente foi ao encontro dele e ele deu tempo a toda a gente.

    Joaquim Franco

  • Cidadãos e Religiosos

    Joaquim Franco

    Na encíclica Laudato Si, o Papa Bergoglio desenvolve a ideia de uma nova cidadania quando apresenta o estranho paradigma de um "amor civil e político". O desafio é sobretudo dirigido aos crentes. Diz ele que "o amor, cheio de pequenos gestos de cuidado mútuo, é também civil e político, manifestando-se em todas as ações que procuram construir um mundo melhor", como "amor à sociedade" e "compromisso pelo bem comum"(art. 231).

    Joaquim Franco

  • O desafio da cedência

    Joaquim Franco

    O discurso religioso, à semelhança do discurso político, reveste-se de uma semiótica de extrema cautela. O breviário político, como o religioso, está cheio de certezas absolutas, de teimosas balizas que enquadram a incapacidade de admitir - nas ideias, nos procedimentos, nos hábitos... - que a cedência faz parte da dinâmica do encontro, para fazer do tempo que passa um tempo de oportunidade. Não é fragilidade, nem é só contingência. Mas também não é opção. É uma boa inevitabilidade da existência humana. Num breve momento em que as barreiras do preconceito, político ou religioso, fossem tão inflexíveis que não permitissem o diálogo, não seriamos, sequer. É por aí que o homem se diz, que o homem se revela. Solidário, sem estar refém das ideias, mas sendo protagonista da história, que sendo também uma história de ideias, é antes uma história de relações, de cedências.

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  • Expectativas de um Sínodo

    Joaquim Franco

    Em conversas mais demoradas ou na rapidez de um café, é com frequência que alguém nos assalta com a pergunta. Até onde vai o Papa? O drama da Igreja e de Bergoglio passa também pela gestão de expectativas.

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