sicnot

Perfil

Cultura

Plácido Domingo "bastante feliz" por atuar em Macau 15 anos depois do primeiro convite

O tenor espanhol Plácido Domingo vai atuar pela primeira vez em Macau, no sábado, e manifestou-se "bastante feliz" por finalmente realizar o concerto que era para ter acontecido há 15 anos, aquando da transição de Portugal para a China.

© Mario Anzuoni / Reuters

"Estou bastante feliz. É muito especial para mim conseguir estar em Macau, porque fui convidado para vir cá quando foi a transição para a China (em 1999), mas não pude vir porque não estava livre nessa altura. E desde então lamento isso, porque há ocasiões muito especiais e essa era uma ocasião muito especial: estar aqui a cantar para o público numa data tão significativa", disse hoje em conferência de imprensa.

Plácido Domingo chegou a Macau depois de um concerto em Tóquio, onde atuou para cerca de 5.000 pessoas. No sábado vai atuar no Centro Cultural de Macau com as sopranos Virginia Tola (Argentina) e Micaela Oeste (EUA) para um máximo de 1.100 espetadores, mas para o mais famoso cantor de ópera da sua geração "é muito importante fazer com que o público fique contente".

"Depois de cantar há tantos, tantos anos, para mim é verdadeiramente entusiasmante cantar num sítio pela primeira vez. Penso que o público tem o direito de descobrir, e mesmo que as pessoas tenham ouvido os discos ou que me tenham visto na televisão, aqui muita gente vai provavelmente ouvir-me pela primeira vez e o mais importante é estar em muito boa forma e sentir um certo tipo de ligação", descreveu.

Em Macau, cidade que descreveu como "fenomenal", Plácido Domingo mostrou interesse em visitar o Dom Pedro V depois de saber que foi o primeiro teatro de estilo ocidental a ser erigido na China e por onde já passaram várias óperas.

Sobre o público chinês, o músico disse ter ficado maravilhado com o entusiasmo da audiência tanto quando fez a sua estreia no país há 27 anos, como nos seus mais recentes concertos.

"Há quatro dias eu estava a cantar Simón Bocanegra em Pequim - que é uma ópera que provavelmente estava a ser ouvida pela primeira vez, não é internacionalmente conhecida -, mas foi extraordinário. Por isso a música está a chegar à alma e aos corações dos chineses", afirmou, enaltecendo também "o extraordinário número de cantores" da China que nos últimos anos tem atuado nos teatros mais conhecidos em todo o mundo.

"E tenho o orgulho de dizer que quatro ou cinco cantores foram vencedores na Operalia", acrescentou, referindo-se à competição de canto que criou.

Plácido Domingo recordou também os espetáculos em Portugal, nomeadamente no Teatro São Carlos: "Espero voltar. O amor do público português pela ópera é grande".

Conhecido como "um dos três tenores", Plácido Domingo interpretou mais de 144 obras clássicas, dos compositores Giacomo Puccini, Richard Wagner e Giuseppe Verdi, entre outros.

O tenor, que gravou mais de cem álbuns, alguns dos quais com mais de um milhão de cópias vendidas, recebeu 12 prémios Grammy.

Reino Unido, Estados Unidos ou França atribuíram-lhe medalhas em reconhecimento pelo seu talento musical e pela contribuição e apoio à música.

O concerto "Domingo e a Orquestra de Macau" é coorganizado pelo Instituto Cultural e pela Direção dos Serviços de Turismo, com o apoio do MGM Macau.

Depois de Macau, Plácido Domingo tem concertos agendados nos Estados Unidos em Los Angeles e na capital do jogo norte-americana Las Vegas, em setembro.

Lusa

  • Fuga de Vale de Judeus em junho de 1975 no Perdidos e Achados
    0:36

    Perdidos e Achados

    Prisão Vale de Judeus, final de tarde de domingo, dia 29 de junho de 1975. O plano da fuga terá sido desenhado por uma vintena de homens. Serrada a presiana metálica era preciso passar, para fora do edifício, as cabeceiras dos beliches onde os presos dormiam. Ao longo de cerca de uma hora 89 detidos, agentes da PIDE/DGS, a Polícia Internacional e de Defesa do Estado português extinta depois da revolução de 1974, fogem do estabelecimento prisional.

    Segunda-feira no Jornal da Noite