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O Bando estreia "Ausência" sobre o vazio que fica com a emigração

Fixar a imagem do vazio que fica quando alguém emigra, foi o ponto de partida da peça "Ausência", que O Bando estreia na quinta-feira, em Palmela, disse à Lusa fonte da companhia.

cm-palmela.pt

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Vocacionada para a infância e juventude, mas também para os adultos, a peça assenta num trabalho realizado por Isabel Atalaia, em colaboração com escolas do concelho, muitas das quais rurais, que consistiu na captação de fotografias nas quais as crianças revissem o conceito de falta, ou da noção que elas têm do que está ausentes, já que muitas dessas crianças têm alguém da família ou conhecido que partiu, explicou à Lusa Raul Atalaia, cooperante e um dos elementos da direção da cooperativa O Bando e um dos intérpretes de "Ausência".

"Todos sabiam o que é a ausência, explica-lo é que não era de todo fácil", referiu, acrescentando que o texto, da autoria de João Neca -- o outro ator da peça -- trabalhou depois sobre essa ideia da pessoa que se desloca assim como da relação que ela tem do lugar de onde vem e para onde vai.

São pessoas que "estão ocupadas com a lembrança do que deixam e a esperança do local para onde vão", razão por que, também por isso, este é um espetáculo feito com grandes condições de mobilidade porque é um espetáculo sobre "um viajante em busca de um território", precisou Raul Atalaia.

Para o ator, que é também o responsável pela área de internacionalização da companhia, a mobilidade que pauta toda a conceção do espetáculo visa também levar a peça às escolas, "uma forma de devolver à comunidade" aquilo que ela já lhes deu.

"Ausência" é uma coprodução internacional com o Dynamo Théâtre de Montreal (Canadá) no âmbito de um projeto que a companhia com sede em Palmela desenvolve há três anos com cinco companhias de teatro estrangeiras em torno de temas como pobreza, migrações e movimentação de pessoas pelo mundo.

Além da companhia portuguesa, o projeto, que obteve apoio da Comissão Europeia, mobiliza uma companhia de Itália, uma de Inglaterra, duas do Canadá (Montreal e Vancover) e uma australiana.

"Ausência" tem direção de Nicolas Brites e é uma cocriação de Jacqueline Gosselin, do Dynamo Théâtre, que há cerca de duas semanas, estreou, em Montreal, a peça "Immigrant d´intérieur" , no qual Nicolas Brites foi cocriador.

A peça, com cenografia de João Brites, música de Jorge Salgueiro e figurino e adereços de Clara Bento, vai estar em cena de quinta-feira a sábado, às 21:00, e aos domingos, às 17:00, até 13 de dezembro.

Lusa

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