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O livro de inéditos "Letra aberta" de Herberto Helder vai ser publicado em março

A Porto Editora anunciou hoje a publicação, em março, de um livro de inéditos de Herberto Helder, intitulado "Letra aberta".

Herberto Helder morreu na noite de 23 para 24 de março do ano passado, na sua casa, em Cascais.

Herberto Helder morreu na noite de 23 para 24 de março do ano passado, na sua casa, em Cascais.

"A Porto Editora vai lançar um livro de poemas inéditos de Herberto Helder, recolhidos dos seus cadernos, onde constava já o título, 'Letra aberta'", lê-se no comunicado hoje divulgado.

O livro é publicado em março, quando passa um ano sobre a morte do poeta, aos 84 anos.

"Esta não é a edição crítica que a obra inédita de Herberto Helder merece e que certamente será publicada no futuro, agora que o seu espólio está a ser integralmente digitalizado", afirma a mesma fonte, acrescentando que "se trata de uma escolha realizada pela viúva do poeta, que nos permite uma primeira abordagem à riquíssima 'oficina' a partir da qual Herberto foi construindo o seu 'poema contínuo'".

A Porto Editora informa ainda que chegou a acordo com a editora Tinta da China, para a publicação de toda a obra de Herberto Helder no Brasil.

Herberto Helder morreu no dia 24 de março do ano passado, na sua casa, em Cascais, é recordado pelo meio literário e político como o "mago da palavra", poeta "vulcânico" que se remeteu ao silêncio, mas cuja obra deixa marcas na literatura portuguesa.

Discreto, avesso ao lado mais mundano da vida literária, sobrevivem-lhe mais de cinquenta obras, sobretudo poesia, que o inscrevem no reservado espaço dos maiores poetas de Língua Portuguesa.

Autor que "fugiu à banalidade", Herberto Helder foi um "mago da palavra" que "tirou magia em tudo que tocava", afirmou no dia da sua morte o catedrático de Literatura Arnaldo Saraiva. Um poeta inovador que criou "uma nova linguagem, que é verdadeiramente mágica e esplendorosa", acrescentou o jornalista José Carlos Vasconcelos.

Nascido na Madeira, em 1930, Herberto Helder viveu quase sempre no continente, desde a adolescência, teve vários ofícios - operário, repórter de guerra, editor, empacotador, bibliotecário - mas o da escrita foi o mais constante, desde que publicou o primeiro livro, "O Amor em visita", em 1958.

O crítico Pedro Mexia identifica-lhe uma apropriação da palavra sem desconfianças, ironias ou cinismos e considera-o, por essa força verbal, o maior poeta da segunda metade do século XX, tal como Fernando Pessoa o foi no começo daquele século.

Herberto Helder deu a última entrevista em 1968, recusou o Prémio Pessoa e editou em 2014 o livro "A morte sem mestre".

Foi "um mestre" para outros escritores, como o poeta Nuno Júdice admitiu, no dia da morte de Herberto Helder, um "poeta tão diferente, tão vulcânico" que mostrou "tudo o que é mágico e inexplicável na poesia", disse por seu turnmo, o catedrático da Universdade Nova de Lisboa, Fernando Pinto do Amaral.

Lusa