sicnot

Perfil

Cultura

Espetáculo no Tivoli, em Lisboa, celebra "o amigo" Carlos Paredes

Vários músicos, entre eles, Luísa Amaro e os Bonecos de Santo Aleixo, celebram "O amigo Paredes", na quarta-feira, no Teatro BBVA Tivoli, em Lisboa, numa evocação ao autor de "Verdes anos", por ocasião do seu 90.º aniversário.

"Esta é uma celebração da amizade, daí o título, 'O amigo Paredes', e aquilo que ele representa", disse à Lusa Luísa Amaro, a última acompanhadora do guitarrista.

Luísa Amaro afirmou que "Carlos Paredes tocou tão bem, que, por si só defende a sua obra, que permanece preservada e cuidada por ele próprio", mas reconhece o risco "de a sua memória se tornar nublada".

A guitarrista irá interpretar, de Paredes, com arranjos seus, peças como "Canto de embalar" e "Sede", com os músicos Gonçalo Lopes (clarinete baixo) e Paulo Sérgio dos Santos (piano). Também com estes músicos será interpretado "Verdes anos/Summertime".

"Paredes, para compor os 'Verdes anos', inspirou-se em 'Summertime' [de George Gershwin], mas, apesar de se poder comparar o fraseado, sem se atropelarem, a composição de Paredes tem uma identidade própria", disse Luísa Amaro, que irá "brincar com estas duas composições", no palco da avenida da Liberdade.

Do cartaz fazem ainda parte os Bonecos de Santo Aleixo, do Centro Dramático de Évora (Cendrev), com quem Carlos Paredes atuou várias vezes.

"O Carlos [Paredes] trocou muitas impressões sobre a guitarra com o Manuel Jaleca, que era o músico que acompanhava os Bonecos de St.º Aleixo, e ele próprio gostava muito dos Bonecos, que, nos seus textos, muitas vezes brincavam com ele, referindo-se-lhe como 'o senhor que toca com a cabeça no chão e de pés grandes'", contou Luísa Amaro.

Atualmente é José Russo, o guitarrista dos Bonecos de Santo Aleixo.

Do cartaz faz ainda parte António Eustáquio, que toca guitolão, um instrumento imaginado por Carlos Paredes e construído por Gilberto Grácio, construtor de guitarras portuguesas, e a Tuist, a tuna do Instituto Superior Técnico, de Lisboa, que irá apresentar um "medley" de composições de Carlos Paredes (1925-2004) e do seu pai, Artur Paredes (1899-1980).

Luísa Amaro realçou que a Tuist tem "uma versão muito interessante" de "Verdes anos", acrescentando que "é através destes jovens e das aproximações que se vão fazendo à obra de Paredes, como aconteceu com Pedro Jóia e Mariana Abrunheiro, por exemplo, que a obra de Paredes viverá sempre, porque, felizmente, tal como ela é, tocada de forma perfeita pelo próprio Paredes, temos todas as gravações, e viverá por si só".

Em comunicado enviado à Lusa, a editora Althum, que organiza o espetáculo, afirma: "A modéstia de Carlos Paredes esbarra habitualmente num muro de opiniões diversas, provenientes de críticos, especialistas e admiradores, que o apontavam como 'simplesmente genial', assim é qualificada a sua música".

"A esse propósito, houve quem quisesse verificar de perto se Paredes teria mais de cinco dedos, tal a agilidade com que dedilhava a guitarra; houve ainda quem dissesse que as suas notas eram o melhor espelho do país, as que melhor o retratavam, as que melhor expressavam a alma portuguesa", segundo o mesmo texto.

"Carlos Paredes legou-nos uma obra de valor incontestável, não só pela beleza das suas composições e da sua interpretação, mas também pela dimensão que deu à guitarra portuguesa, elevando-a a instrumento autónomo, ao invés de mero acompanhamento, transformando-a num símbolo da música portuguesa além-fronteiras", remata a editora, segundo a qual, "a sensação de liberdade que a sua arte transmite, e a mística da obra que deixou, dão-nos conta de uma história de dedicação profunda e de uma certa nostalgia de futuro."

Luísa Amaro disse que à Lusa que está previsto a edição, "ainda este ano", de uma biografia do músico e compositor, de autoria de Paulo Sérgio.

Lusa

  • As primeiras decisões do Presidente Trump
    1:39
  • "Há sobretudo um fosso entre o discurso que Trump faz e os de Obama"
    6:13

    Opinião

    Cândida Pinto e Ricardo Costa analisaram a tomada de posse de Donald Trump. O diretor de informação da SIC disse que o discurso de Trump "mexe com a sua base de apoio" e defende que "a grande questão não vai ser a relação com a Rússia, mas sim com a China". Já a Editora de internacional disse que o discurso foi "voltado para dentro, nacionalista, partidarista, com ataque à elite de Washington".

    Ricardo Costa e Cândida Pinto

  • Celebridades protestam contra Trump
    3:00

    Mundo

    Tem sido assim desde a campanha e continua. Grande parte da comunidade de artistas não está nada contente com o Presidente eleito. Vários artistas aproveitaram o dia da tomada de posse para se reunirem em Nova Iorque e protestarem contra Donald Trump.

  • Artista que criou poster de Obama quer invadir EUA com símbolos de esperança

    Mundo

    Shepard Fairey - o artista por trás do tão conhecido cartaz vermelho e azul "Hope" de Barack Obama, durante a campanha eleitoral de 2008 nos EUA - produziu uma série de novas imagens a tempo da tomada de posse de Donald Trump, na sexta-feira. Agora, o artista e a sua equipa querem manifestar uma posição política com a campanha "We The People", contra as ideias que o Presidente eleito tem defendido.

  • Cantora brasileira conhecida pela "Lambada" terá sido assassinada
    1:25

    Mundo

    Terá sido assassinada a cantora brasileira conhecida em Portugal pela "lambada", um ritmo que marcou o fim dos anos 90. Foi encontrada carbonizada dentro do próprio carro depois de assaltada em casa. Três suspeitos suspeitos do homicídio da cantora Loalwa Braz foram já detidos.