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Esculturas de Rui Chafes estão "onde o sagrado e o humano se encontram"

O escultor Rui Chafes, que inaugura quinta-feira uma instalação na Igreja de São Cristóvão, considera o espaço religioso "ideal" para colocar as suas esculturas porque é ali "que o sagrado e o humano se encontram".

M\303\201RIO CRUZ

No templo, situado na Mouraria e cujas origens remontam ao século XII, Rui Chaves e o curador da exposição "Não te faltará a distância", Paulo Pires do Vale, ultimam a instalação da série de cinco peças pensadas para o local.

"Estes são os espaços do humano e do divino. São espaços vividos pelas pessoas, os ideais para apresentar obras de arte contemporânea. Muito mais do que num museu ou numa galeria", disse o artista à agência Lusa no interior da Igreja de São Cristóvão.

A peça principal criada pelo escultor galardoado como o Prémio Pessoa 2015 que é a matriz de outras duas - da série "Ascensão" - segue os degraus da igreja, onde ficaram marcados os passos de milhares de fiéis ao longo dos séculos.

As passadas criaram marcas fundas nos degraus em pedra das quais Rui Chafes fez moldes em chumbo e verteu para uma outra peça em ferro - um escadote de nove metros de altura - colocado no centro da igreja.

"O escadote tem as cópias exatas das marcas deixadas pelas pessoas que por ali passaram. Acaba por ser uma homenagem. No fundo representa o caminho para o céu", comentou o artista, acrescentando que foi exatamente aquele desgaste dos degraus que primeiro o interessou no projeto ligado à recuperação do templo que evoca a vida de São Cristóvão.

Depois de Madalena Victorino, e de Francis Alÿs, é a vez de Rui Chafes, que colocou nestas obras a marca habitual do seu trabalho: os contrastes entre a luz e a escuridão, o peso e leveza.

"Achei o projeto precioso. Esta abertura de uma igreja à presença da arte contemporânea é muito importante porque estão divorciadas desde o início do século XX", disse o artista, sublinhando que um dos seus interesses é questionar e investigar a relação entre estes universos.

Integrada no projeto do Orçamento Participativo de Lisboa Arte por São Cristóvão, a exposição - iniciada em fevereiro - apresenta olhares contemporâneos sobre temas inspirados na vida de São Cristóvão: a viagem, o peso, a leveza.

Este projeto -- que decorre até junho - visa dar a conhecer a igreja, o seu património e história, para angariar apoios para o seu restauro e reabilitação.

Paulo Pires do Vale deu à exposição o título "Não te faltará distância" partindo da noção de viagem e de peregrinação associadas à lenda da figura de São Cristóvão, um gigante que ajudava peregrinos a atravessar um rio.

O projeto "Arte Por São Cristóvão" é desenvolvido pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Paróquia de São Cristóvão e São Lourenço, em parceria com entidades públicas e privadas, associações e projetos locais.

Lusa

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