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Lançada petição para travar festival Marés Vivas junto a reserva natural em Gaia

A Associação de Defesa do Ambiente - Campo Aberto lançou uma petição pública internacional contra a realização do festival Marés Vivas no novo espaço escolhido junto ao Estuário do Douro, em Gaia, pedindo ao patrocinador uma tomada de posição.

JOSE COELHO

Na petição, datada de 09 de maio e hoje divulgada, a Campo Aberto "exige ao gerente da MEO para deixar claro que não quer o nome da sua empresa manchado sobre uma decisão errada do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e sua falta de vontade de ouvir a voz da razão".

No documento, publicado numa plataforma internacional de petições, a Campo Aberto destaca que a MEO "é o principal patrocinador deste festival de música que está prestes a mudar o seu local habitual, perto do rio Douro, para o local mais impróprio para um mega festival - lado a lado da protegida Reserva Natural Local do Estuário do Douro, onde centenas de pássaros vivem, nidificam e descansam na sua migração".

"Esta é a terra das aves e se alguém considerar aqui um palco, deve ser para as aves", assinala o documento que conta hoje com mais de 230 assinaturas.

Em nota hoje divulgada, a Campo Aberto apela à assinatura desta "petição internacional" como uma "forma de manifestar a vontade de ver preservada a Reserva Natural Local do Estuário do Douro".

Para os ambientalistas, "é uma infelicidade que o executivo municipal tenha julgado adequado aceitar a realização do Festival Marés Vivas a algumas dezenas de metros da reserva", admitindo porém ser "improvável" que o evento vá "destruir" aquele espaço.

"Irá beneficiá-la? Seguramente, não. Irá prejudicá-la? O bom senso e o parecer de biólogos respeitados não podem deixar de fazer-nos reconhecer que sim", sustentam.

A associação assinala que "a própria Câmara (bem como algumas entidades que esta invoca em defesa da sua decisão) reconhece que, a realizar-se o Festival, seriam necessárias medidas de mitigação (sempre falíveis, como é evidente)" o que "equivale a reconhecer que o festival prejudica a reserva".

A Campo Aberto apela ainda ao diálogo, defendendo ser "tempo ainda" de "reunir à mesma mesa todos os interessados, fora de qualquer quadro limitadamente formal, e reanalisar toda a questão desde, como se diz popularmente, a estaca zero".

"Reanalisar todo o conjunto da zona à luz do melhor bem possível para o concelho tendo em conta os seus valores naturais e ambientais interessaria certamente a todas as partes", acrescenta.

Desde o início do ano que a nova localização escolhida para o festival de verão, junto à reserva do Estuário do Douro, tem motivado críticas de associações ambientalistas como a Quercus que já apresentou duas providências cautelares para impedir a realização do evento.

Em abril foi criado o Movimento Cívico SOS Estuário do Douro, que, em comunicado, referiu ter apelado aos artistas para que se "recusem a atuar" no festival, tendo redigido uma carta aberta ao cantor Elton John onde pedia para não participar no evento.

Também em abril a promotora do festival Marés Vivas admitiu que irá avançar judicialmente contra o movimento cívico SOS Estuário do Douro pela "chantagem e ameaça de boicotar" o evento.

Já no início de maio, a Câmara de Gaia anunciou que irá agir judicialmente contra "pessoas e/ou instituições" que optam pelo "boicote" ao Marés Vivas.

Lusa

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