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Quadro de Domingos Sequeira já está "no lugar certo"

​O quadro "A Adoração dos Magos", do pintor português Domingos António Sequeira, foi restaurado durante dois meses pelos técnicos do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), e "parece outro", depois de reveladas a luz e cores originais.

(SIC/Arquivo)

"É quase outra pintura. Duzentos anos de sujidade tinham alterado o cromatismo da obra", avaliou o diretor do MNAA, António Filipe Pimentel, quando "A Adoração dos Magos" foi hoje destapada e colocada numa das paredes do terceiro piso.

Colocada numa ala com mais sete pinturas de Sequeira, a obra é uma das estrelas da nova exposição permanente de pintura e escultura antiga que inaugura na quinta-feira, às 18:00.

"Foi um trabalho extremamente delicado de investigação e de restauro", comentou ainda o diretor do museu, acrescentando que praticamente todas as 250 obras de pintura e de escultura da nova exposição passaram por um processo semelhante, e algumas delas vão ser vistas pelo público pela primeira vez.

A campanha pública inédita de angariação de fundos, para comprar a tela "A Adoração dos Magos", atingiu um total de 745.623,40 euros, ultrapassando largamente os 600 mil euros necessários para a aquisição.

António Filipe Pimentel disse ainda que, de início, a pintura aparentava estar apenas carente de uma limpeza, mas quando foi observada com profundidade e precisão, "verificou-se que havia muito trabalho a fazer".

"O trabalho do museu não é apenas de expor as obras, mas também estudar e restaurar", disse, acrescentando que a pesquisa revelou também muito do processo usado por Domingos Sequeira como artista.

Para o responsável, esta pintura "é muito importante não apenas pelo seu valor estético e plástico, mas também pelo valor simbólico da compra pelo público".

Por seu turno, Teresa Serra e Moura, uma das técnicas do museu responsáveis pelo restauro, disse aos jornalistas que o facto de quadro ter estado durante duzentos anos nas mãos de privados "contribuiu muito para o seu bom estado geral de conservação".

"Depois de retirado o verniz amarelecido pelo tempo e sujidade, a luz e a cor revelaram-se como se tivesse sido acabado de pintar", indicando que a pintura corresponde ao desenho preparatório que o museu já possuía.

Esta foi a primeira campanha em Portugal de angariação de fundos para a aquisição de uma obra de arte para um museu público, e contou com a contribuição de milhares de cidadãos a título individual, instituições, empresas, fundações, escolas, juntas de freguesia e câmaras municipais.

Lançada em outubro do ano passado, a campanha "Vamos pôr o Sequeira no Lugar Certo" tinha como objetivo ajudar o museu a adquirir a obra de Domingos Sequeira, pintada em 1828, da qual o MNAA possui o desenho final e vários preparatórios.

O MNAA tem no seu acervo cerca de 30 obras em pintura e desenho de Domingos Sequeira (1768-1837), cujo trabalho realizado, nas primeiras décadas do século XIX, se situa entre o Classicismo e o Romantismo, de um modo similar a Francisco de Goya, seu contemporâneo na cultura espanhola, segundo o museu.

Devido ao seu talento, Domingos Sequeira conseguiu proteção aristocrática e uma bolsa para se aperfeiçoar em Roma, onde privou com vários mestres e conquistou diversos prémios académicos.

Com Lusa

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