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Promotores de festivais e espectáculos criam associação para defender o setor

Mais de vinte promotoras de festivais e espetáculos criaram uma associação, a APEFE, e uma das primeiras iniciativas prometidas é saber qual o valor do setor, como afirmou à agência Lusa o presidente, Jorge Lopes.

"Queremos fazer um estudo sobre o setor, avaliar o mercado, ter um espelho do que vale, sabendo que já investimos muito na promoção dos festivais no estrangeiro e que isto é importante para o turismo, para a cultura, para a economia", referiu o promotor da PEV Entertainment.

A Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), constituída formalmente em novembro, conta, entre os associados, com promotoras como Everything is New, Música no Coração, Ritmos, UAU, Ritmos & Blues, Better World, Ao Sul do Mundo, Sons em Trânsito, Uguru e Regiconcerto.

Segundo Jorge Lopes, os 26 promotores que estiveram presentes na reunião fundadora representam 90 por cento dos espetáculos ao vivo e festivais de música que acontecem em Portugal. Estão representados, por exemplo, os festivais Nos Alive, Super Bock Super Rock, Rock in Rio Lisboa, Marés Vivas, Paredes de Coura ou Misty Fest.

A direção, com mandato de dois anos, integra Jorge Lopes (PEV Entertainment), Álvaro Covões (Everything is New), Paulo Dias (UAU), Sandra Faria (Força de Produção) e Ana Rangel (Plano 6).

De acordo com os dados mais recentes sobre o setor, do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2015 os espetáculos ao vivo geraram 59,6 milhões de euros de receitas. Jorge Lopes estima que o valor do mercado seja três vezes superior, já que aquela verba diz respeito sobretudo a bilheteiras.

Segundo o INE os espetáculos ao vivo - que englobam concertos de pop, rock, fado, ópera, teatro, dança ou circo - registaram 12,5 milhões de espectadores, dos quais apenas 3,9 milhões pagaram bilhete.

Além de fazer um estudo de mercado, a APEFE quer criar grupos de trabalho que sirvam de interlocutores junto do Governo e de entidades que estão ligadas ao setor, para questões ligadas, por exemplo, a fiscalidade, segurança, direitos de autor e regulamentação da atividade.

"Há muito que existia necessidade de criar uma associação destas, que juntasse todos os promotores, porque há muitas questões que têm estado a ser discutidas e decididas em separado. Há legislação que foi feita para esta atividade e os promotores não foram ouvidos", disse Jorge Lopes.

Nesse diálogo que pretendem encetar com o Governo, nomeadamente com a tutela da Cultura e da Economia, está ainda a reivindicação da descida do imposto IVA de 13 por cento para seis por cento.

Jorge Lopes recordou que qualquer entidade inscrita como promotora na Inspeção-Geral das Atividades Culturais pode associar-se à APEFE.

A Ao Sul do Mundo, a Mandrake, a Live Act, a Primeartists, a Produtores Associados e a Ruela Music são outras entidades que já fazem parte da APEFE.

O atual Governo inscreveu no Orçamento do Estado para 2017 uma proposta de regulamentação do registo dos profissionais do setor das atividades artísticas, culturais e de espetáculo.

Lusa

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