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Três filmes portugueses estreiam-se hoje nos cinemas

A ficção biográfica "Zeus", de Paulo Filipe Monteiro, e os documentários "As cartas do rei Artur", de Cláudia Rita Oliveira, e uma versão restaurada de "Autografia", de Miguel Gonçalves Mendes, estreiam-se hoje nos cinemas.

"Zeus", primeiro filme de Paulo Filipe Monteiro, sociólogo, argumentista e professor universitário, conta a história de Manuel Teixeira Gomes, sétimo Presidente da República Portuguesa, figura que é interpretada pelo ator Sinde Filipe.

Este é um filme biográfico que se centra sobretudo na partida de Manuel Teixeira Gomes para a Argélia, aos 65 anos, a bordo de um navio de carga chamado "Zeus", país onde morreu em 1941, depois de quase duas décadas e exílio.

Foi o "gesto de liberdade, de partir e largar tudo" do antigo Presidente da República que captou a atenção do realizador, mas, à medida que foi investigando o seu percurso, as suas facetas de político reformista e de escritor de obras eróticas, ou a sua paixão pelo Islão, confirmou que a vida de Teixeira Gomes dava um filme.

"Pouca gente conhece que tivemos um Presidente da República destes, uma pessoa desta envergadura. Um presidente que tinha escrito livros eróticos, acho que é único no mundo", afirmou o realizador à agência Lusa, em novembro passado, quando o filme teve antestreia nacional nos Açores.

O filme demorou oito anos a ser feito, não só pela necessidade de reunir financiamento, mas também pela exigência da pesquisa, já que as biografias existentes praticamente não falam do tempo que o escritor passou na Argélia.

"Zeus" terá uma exibição especial hoje à noite, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, com o elenco, o realizador e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Ao circuito comercial, no Porto e em Lisboa, chegam ainda dois documentários que se complementam - e serão exibidos em sessões conjuntas - embora tenham sido feitos com um intervalo de uma década.

Um deles é o recente "As cartas do rei Artur", de Cláudia Rita Oliveira, que se debruça sobre a vida do artista visual Artur do Cruzeiro Seixas, um dos últimos sobreviventes do surrealismo português, e sobre a relação com o poeta Mário Cesariny, que morreu em 2006.

Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny conheceram-se ainda nos tempos de escola e mantiveram uma relação durante várias décadas, marcada pela amizade, pela paixão e pela rutura. O filme aborda a homossexualidade de ambos, a relação de Cruzeiro Seixas com a arte, com a forma de viver de Mário Cesariny, com África, que disse ter sido o grande amor de vida.

No documentário, o surrealista mostra arrependimento por algumas atitudes do passado, sobretudo da relação desencontrada com Cesariny. "Um dos meus suicídios foi em 1975, quando cortei relações com Cesariny", afirma no filme.

O filme valeu a Cláudia Rita Oliveira o prémio do público do festival DocLisboa 2016.

Em 2004, Miguel Gonçalves Mendes vencia no DocLisboa o prémio de melhor documentário português com "Autografia", filme sobre Mário Cesariny que volta aos cinemas, numa versão restaurada, por causa de "As cartas do rei Artur", propondo um encontro entre as duas obras.

"Autografia" é um retrato intimista de Mário Cesariny, a partir das respostas que o poeta e pintor vai dando sobre a vida e sobre a própria vida, em diálogo com a câmara.

Miguel Gonçalves Mendes foi o produtor de "As cartas do rei Artur" e excertos de "Autografia" surgem no filme de Cláudia Rita Oliveira.

Lusa

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