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Nibali quebrou código de honra para ficar à beira do pódio na Volta à França

Vincenzo Nibali desrespeitou esta sexta-feira o código de honra do pelotão para vencer a 19ª etapa e aproximar-se do pódio da Volta a França em bicicleta, num dia em que Nairo Quintana reduziu a diferença para Chris Froome.

O italiano Vincenzo Nibali venceu a 19ª etapa do 'Tour'.

O italiano Vincenzo Nibali venceu a 19ª etapa do 'Tour'.

© Stefano Rellandini / Reuters

Hoje, pela primeira vez neste Tour, Chris Froome (Sky) não foi um camisola amarela seguro e impassível, vivendo um dia altamente atribulado. Primeiro, viu o italiano mostrar falta de 'fair-play' e atacar quando sofreu uma avaria mecânica, depois, na subida final para La Toussuire, quando já seguia sem apoio da equipa, foi surpreendido por um ataque demolidor do colombiano da Movistar, que lhe roubou 32 segundos e ficou a 02.38 minutos da sua liderança, um dia antes do temido Alpe D'Huez.

Não foi preciso esperar pelos quilómetros finais dos 138 entre Saint-Jean-de-Maurienne e La Toussuire-Les Sybelles para que os ataques ao britânico da Sky começassem: debaixo de um dilúvio, com 26 fugitivos já na frente, Alberto Contador (Tinkoff-Saxo) saltou do pelotão, quando tinham sido percorridos dez quilómetros, na subida ao Col du Chaussy, e motivou todos os outros.

Atacaram Nibali, Alejandro Valverde (Movistar), Bauke Mollema (Trek) e Robert Gesink (Lotto NL-Jumbo). Com a Sky evidentemente debilitada -- Geraint Thomas acusou o desgaste do seu intenso trabalho para o líder e disse, logo aí, adeus ao sonho de estar no pódio em Paris (caiu para 15.º) -, foi o camisola amarela quem perseguiu e reuniu o grupo de candidatos.

A paz seria apenas momentânea: quando Pierre Rolland (Europcar) já se tinha despedido dos companheiros da fuga para coroar, em solitário, o temível Col de la Croix de Fer, um sempre atento líder da Astana demonstrou uma falta de desportivismo inesperada, atacando Froome quando o britânico avariou, a 58 quilómetros de La Toussuire.

A falta de 'fair-play' do 'Tubarão' -- ditam as regras de cavalheiros do pelotão que não se ataca o camisola amarela em caso de avaria mecânica -- apanhou desprevenidos os outros candidatos, que aguardaram pelo líder da Sky e deixaram o siciliano ganhar uma vantagem que, graças às suas reconhecidas capacidades de descedor, rapidamente transformou em dois minutos.

A uma velocidade alucinante, o vencedor do Tour2014 alcançou Rolland e partiu a solo nas rampas da última inclinação. Com a vitória da etapa entregue a um monumental Nibali -- cortou a meta com o tempo de 04:22.53 horas -, Nairo Quintana atacou a sete quilómetros do alto e, pela primeira vez, Froome não teve como alcançá-lo.

O colombiano foi segundo na meta, a 44 segundos do italiano da Astana, e teve de esperar 30 segundos (acrescem dois de bonificação) para ver o camisola amarela cruzar a linha, antes de prometer que, no sábado, nos 110,5 quilómetros entre Modane Valfréjus e o Alpe d'Huez, vai atacar de longe.

Mas mais do que os segundos amealhados por Quintana, foi o tempo conquistado por Nibali que baralhou as contas da geral, uma vez que o líder da Astana está agora a 01.19 minutos do terceiro lugar, ocupado por um acomodado Alejandro Valverde.

"O pódio final vai ser difícil, desgastei-me muito hoje", respondeu o italiano, recusando assumir uma candidatura ao terceiro lugar, ao qual dificilmente chegará Alberto Contador (Tinkoff-Saxo), ainda quinto, mas já a 07.56 de Froome.

Hoje, o combativo italiano, que justificou o seu ataque ao azarado líder com a simples frase "Fiz a minha corrida", era um homem feliz, por se ter redimido de um ano "muito difícil" à imagem do que foi o seu início de Tour.

Menos felizes estariam, certamente, os portugueses: Nelson Oliveira (Lampre-Merida) caiu e foi 60.º, a 25.30 minutos de Nibali, Tiago Machado (Katusha) perdeu 28.36 minutos e José Mendes (Bora-Argon 18) 29.12.

Lusa

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