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Ferro pergunta sobre dívida da TAP, Passos acusa PS de lançar "lama e suspeições"

O primeiro-ministro considerou hoje intoleráveis as "suspeições" e "lama" lançadas pelo PS sobre a privatização da TAP, depois de o líder parlamentar socialista ter perguntado se o Estado vai negociar previamente a dívida da empresa e garanti-la.  

TIAGO PETINGA/ LUSA

A questão da privatização da TAP surgiu já na parte final do frente-a-frente entre Ferro Rodrigues e Pedro Passos Coelho no debate quinzenal na Assembleia da República. 

 

O presidente do Grupo Parlamentar do PS colocou então uma série de questões ao primeiro-ministro, começando por lhe perguntar se "será um mito urbano" a afirmação alegadamente proferida por Pedro Passos Coelho, em 2010, segundo a qual seria "criminosa uma política de privatizações se visasse apenas vender ativos para arranjar dinheiro?". 

 

"Mas é isso que os senhores estão a fazer com a TAP agora", sustentou o líder da bancada socialista, antes de perguntar a Passos Coelho se "é ou não verdade que o Estado vai negociar previamente a dívida e que garantirá essa dívida, como disse o ministro da Economia [Pires de Lima]?"  

 

"É ou não verdade que o Estado vai dar apoio significativo aos contingentes e aos processos legais, laborais e fiscais da empresa da empresa de manutenção do Brasil (VEM)? É verdade que o consórcio [Gateway] se propõe vender ou ceder a posição da TAP relativamente aos novos aviões A350, abdicando de voar para a China?", perguntou ainda. 

 

A resposta do primeiro-ministro foi dura, considerando que o PS está a ser incoerente, porque desde 1997 procura uma solução de privatização para a TAP, e que inscreveu essa medida no próprio memorando da 'troika' (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional) em maio de 2011. 

 

"Isso não autoriza o PS a lançar lama e suspeições em relação a um processo de privatizações que estamos a fazer. Isso é intolerável. Todas as suspeições que os senhores têm levantado são desmentidas, nomeadamente pelo presidente do Tribunal de Contas [Guilherme de Oliveira Martins]. Não aproveite o parlamento para lançar mais suspeições, porque o que estamos a fazer na TAP é apenas tudo aquilo que está escrito no decreto-lei e no caderno de encargos", declarou, dirigindo-se a Ferro Rodrigues e recebendo uma prolongada salva de palmas das bancadas do PSD e CDS. 

 

Na reação às palavras de Passos Coelho, quando o primeiro-ministro já não dispunha de tempo para ripostar, Ferro Rodrigues contrapôs "ser estranho" que o primeiro-ministro considere "suspeições" perguntas concretas que lhe foram formuladas sobre a privatização da TAP. 

 

"Isso é que é altamente suspeito", devolveu o líder da bancada socialista. 


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