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Assunção Cristas defende que solução para a crise do leite nos Açores não passa apenas por Bruxelas

A ministra da Agricultura subscreveu hoje a preocupação dos produtores açorianos face à crise do preço do leite no mercado europeu e defendeu que a solução não deve ser da exclusiva responsabilidade da União Europeia.

MIGUEL A. LOPES

"Quando me falam do problema do leite nos Açores, e eu partilho desse problema, a minha resposta é sempre esta: se nós tivéssemos tanta e tanta produção que, comparando com as oportunidades do mundo, nos dissessem que é impossível, eu estaria muito preocupada. Assim, estou preocupada e partilho as vossas preocupações, mas acho que a solução também tem que estar nas nossas mãos", declarou Assunção Cristas.

A titular da pasta da Agricultura, que presidia ao encerramento do primeiro congresso nacional dos jovens agricultores, em Ponta Delgada, recordou que se bateu sozinha, em Bruxelas, quando chegou ao governo, contra o desmantelamento do regime de quotas leiteiras.

A governante sublinhou que tem continuado a bater-se no quadro da União Europeia por medidas face ao desmantelamento das quotas leiteiras, afirmando que "o que temos não é suficiente", que "é preciso ter soluções". 

"Portugal foi dos primeiros países, talvez o único, que já colocou soluções concretas em cima da mesa. Até abril passado estavam todos relativamente pouco preocupados. Mais, na reta final, muitos dos países estavam preocupados era em fugir às penalizações por terem excedido a quota", recordou a governante.

Surgiram entretanto, de acordo com Assunção Cristas, "mais algumas vozes inquietas, porque perceberam que entre uma procura mundial, que deverá aumentar, e uma oferta europeia que, de repente, apareceu, não é muito fácil conseguirmos uma passagem suave".

Assunção Cristas referiu que foi proposto em Bruxelas pelo seu governo uma produção de referência por país que estipule que, em caso de ultrapassagem, face a uma "baixa clara do mercado" do leite, possa haver responsabilização dos vários Estados-membros.

"Porém, vale sempre a trabalhar com o que temos, porque esse é o garantido. O que não temos poderá vir ou não vir num clube de 27", declarou, para acrescentar que se deve apostar na valorização dos produtos, sua diferenciação e acrescento de valor, tendo exemplificado com o queijo de São Jorge.

A ministra da Agricultura recordou que o país é autossuficiente em leite, resultado do "extraordinário trabalho" feito também nos Açores, mas não o é em laticínios, havendo ainda mercado interno para conquistar. 

Uma das formas que Assunção Cristas considera que pode valorizar os produtos açorianos passa pela exportação para altos segmentos de "produtos de extraordinária qualidade".

A ministra deixou ainda a mensagem de que tem que haver uma aposta clara criação dos bons produtos, muitos dos quais já existem no país, a par da inovação e do investimento alternativo, através do aproveitamento dos fundos comunitários.

Assunção Cristas apontou ainda a via da internacionalização através de 260 países cujos mercados estão abertos ao leite e lacticínios, como é o caso de Marrocos, Argélia, China, Colômbia, Venezuela, entre outros, se necessário pela via da aposta em novos produtos.

 

 

 

 

Lusa

 

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