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Reunião decisiva para Atenas e zona euro hoje em Bruxelas

Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se hoje, em Bruxelas, num encontro decisivo sobre a Grécia, já que, em função das conversações, será decidido ou um terceiro "resgate" ou o chamado "Grexit", a saída da zona euro.

© Laszlo Balogh / Reuters

Depois de meses de negociações e de uma sucessão de reuniões de emergência nas últimas semanas, ao nível de ministros das Finanças mas também de chefes de Estado e de Governo, este será o fim de semana decisivo, estando previstas cimeiras extraordinárias da zona euro e da UE a 28 para domingo, que deverão ou aprovar um acordo alcançado no Eurogrupo ou tomar as decisões com vista a um "Grexit", cenário para o qual a Comissão Europeia admitiu já ter um "plano detalhado".

No entanto, as partes parecem ter-se aproximado desde o polémico referendo do domingo passado - e que se saldou numa clara vitória do "não" à última proposta colocada em cima da mesa pelas instituições -, tendo o Governo grego, agora já sem Yanis Varoufakis na pasta das Finanças (foi substituído por Euclides Tsakalotos), apresentado na quarta-feira um pedido de ajuda para três anos, e na quinta à noite as suas propostas de reformas, com as quais espera alcançar finalmente um acordo com os credores.

Na reunião de hoje do Eurogrupo, com início marcado para 15:00 locais (14:00 de Lisboa), as instituições -- Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional -- começarão por dar conta, aos ministros das Finanças da zona euro, entre os quais Maria Luís Albuquerque, da análise que fizeram, ao longo de sexta-feira, do pacote de medidas proposto por Atenas, seguindo-se então uma discussão que se prevê longa, e desta vez decisiva.

O novo pacote de reformas, que poderá desbloquear um acordo e evitar a saída da Grécia do euro (o chamado "Grexit"), propõe várias medidas que vão ao encontro das exigências dos credores, com o objetivo de aumentar as receitas públicas, em troca de ajuda financeira a três anos.

Uma das questões que parece mais dividir Estados-membros e as próprias instituições é a de uma eventual reestruturação da dívida grega -- que representa cerca de 180% do Produto Interno Bruto, ou seja, quase o dobro da riqueza produzida no país -, já considerada necessária pelo FMI, mas que merece a oposição da Alemanha, entre outros.

Para domingo estão agendadas cimeiras do euro e da UE, tendo lugar na segunda-feira uma reunião ordinária do Eurogrupo, para a qual está prevista a eleição do presidente do fórum - cargo ao qual concorrem o atual presidente, Jeroen Dijsselbloem, e o espanhol Luis de Guindos - e uma discussão sobre a Grécia, restando saber em que moldes decorrerá essa discussão, se já numa perspetiva do terceiro programa de assistência; se de uma zona euro reduzida a 18 membros e de uma ajuda humanitária de emergência a Atenas.  

Lusa

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