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PCP exige que o Governo devolva descontos a mais para a ADSE

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou na sexta-feira em Almada que o Governo tem de dar explicações sobre o destino dos descontos dos trabalhadores para a ADSE e devolver aquilo que cobrou em excesso.

Pedro Nunes

"A desculpa esfarrapada de que o aumento das contribuições [para o sistema de proteção social dos trabalhadores em funções públicas (ASDSE)] pode ter sido mal calculado não colhe, mas o que importa agora é que o Governo devolva, para os trabalhadores que fizeram os descontos, esse dinheiro, que é deles, e que não se justifica servir para reforçar o Orçamento de Estado", disse Jerónimo de Sousa.

O líder comunista falava a cerca de mil apoiantes no comício de apresentação da lista de candidatos da CDU às eleições legislativas no distrito de Setúbal, liderada, uma vez mais, pelo deputado por Francisco Lopes, deputado e ex-candidato à Presidência da República.

No comício, que encheu a Praça das Portela, no Laranjeiro, em Almada, o dirigente comunista reafirmou a necessidade de uma renegociação da dívida externa portuguesa, que continua a aumentar, e lembrou que, na Grécia, já são as próprias instituições europeias a reconhecer a necessidade de reestruturação da dívida grega.

"Os donos da União Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional), já falam hoje na necessidade de renegociação da dívida. Quem havia de dizer. Quem o fazia há quatro anos - tal como o PCP -, era considerado um proscrito", recordou Jerónimo de Sousa, acrescentando que o reconhecimento da necessidade de reestruturação da dívida grega "vem dar razão ao que o PCP sempre defendeu".

No plano nacional, Jerónimo de Sousa deixou claro que os comunistas já não conseguem vislumbrar grandes diferenças entre os dois maiores partidos, PS e PSD.

"O PSD quer privatizar à bruta, o PS quer privatizar devagarinho. Eis uma diferença substancial entre os programas dos dois partidos", ironizou o líder comunista, desafiando os dois partidos a explicarem aos portugueses o que os separa naquilo que é estruturante para o País.

Jerónimo de Sousa defendeu também a necessidade de uma rutura com as políticas que têm sido seguidas pelos sucessivos governos do PS, PSD e CDS e que na, opinião do líder comunista, conduziram o País para uma situação de dependência externa.

"Não basta mudar de Governo, é preciso também mudar de política", frisou Jerónimo de Sousa, assegurando que a solução para os problemas dos portugueses passa pela "rutura com as receitas e os caminhos que afundaram o País".

O líder comunista defendeu ainda a necessidade de se realizar um estudo para preparar a saída de Portugal do euro e que deveria também avaliar os prejuízos causados à economia portuguesa pela adesão à moeda única europeia.

Lusa