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Apoio à banca agravou a dívida de Portugal em 11% do PIB entre 2008 e 2014

O apoio ao setor financeiro agravou a dívida pública portuguesa em 11% entre 2008 e 2014 e penalizou o défice orçamental em 2,9% do PIB no mesmo período, segundo um estudo do Banco Central Europeu (BCE) hoje divulgado.

(Arquivo)

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© Rafael Marchante / Reuters

No estudo intitulado "O impacto orçamental do apoio ao setor financeiro durante a crise", hoje conhecido, o BCE calcula que "a dívida pública da zona euro como um todo aumentou 4,8% do PIB no período de 2008 a 2014 devido à assistência ao setor financeiro".

Portugal foi o quinto país da zona euro onde esse impacto foi mais expressivo (11% do PIB), "sobretudo em resultado de intervenções mais recentes", ficando atrás da Irlanda (22,6%), da Grécia (22,2%), de Chipre (19,4%) e da Eslovénia (18,2%), segundo as contas da instituição liderada por Mario Draghi.

No entanto, "o aumento da dívida em resultado do apoio ao setor financeiro corresponde a menos de um quinto do aumento total dívida ao longo do mesmo período", nota o BCE, destacando que este impacto "varia consideravelmente entre os países".

Quanto ao défice orçamental, Frankfurt reporta que as medidas de assistência financeira à banca "levaram a um agravamento do saldo orçamental de 1,8% do PIB em termos acumulados entre 2008 e 2014", um impacto que também "difere consideravelmente" de economia para economia.

Portugal foi o oitavo país da zona euro onde o impacto do apoio ao setor financeiro mais agravou o défice orçamental (2,9% do PIB), mas este impacto foi "particularmente forte" na Irlanda, tendo piorado o saldo orçamental em quase 25% do PIB.

Também os saldos orçamentais da Grécia, de Chipre e da Eslovénia foram "substancialmente afetados" pelas medidas de apoio à banca, com um impacto acumulado no défice entre os 8% e os 13% do PIB entre 2008 e 2014.

Noutros países, este efeito foi "mais limitado", oscilando entre os 0,4% do PIB na Bélgica e os 4,4% em Espanha e, no caso de França, Itália e Luxemburgo, estas medidas "até excederam ligeiramente as despesas", tendo tido por isso um efeito positivo no saldo orçamental.

Segundo o estudo do BCE, comparando com crises financeiras anteriores em economias desenvolvidas, "a deterioração das finanças públicas da zona euro foi pior, apesar da dimensão semelhante da ajuda ao setor financeiro".

O BCE cita um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que avaliou os custos orçamentais de 60 crises bancárias sistémicas entre 1970 e 2011, concluindo que, em média, a dívida aumentou cerca de 12% do PIB, sendo apenas sete pontos percentuais devidos a custos orçamentais diretos do apoio ao setor financeiro.

Ainda citando o FMI, o BCE refere que, com uma amostra de 25 crises bancárias sistémicas entre 2007 e 2011, o Fundo apurou que a dívida aumentou 18% do PIB naquele período, dos quais 4,2 pontos percentuais são explicados por custos orçamentais diretos, "o que compara com um aumento da dívida pública da zona euro de quase 22% do PIB, dos quais 4,6% se justificam diretamente com o apoio ao setor financeiro".

Para o BCE, "estas diferenças sugerem que os custos macroeconómicos indiretos da crise financeira na zona euro foram ainda mais pronunciados, comparando com crises bancárias sistémicas anteriores".

Durante a crise financeira, a maioria dos países da zona euro deu assistência financeira ao setor bancário para salvaguardar a estabilidade financeira do setor e evitar uma quebra abrupta do crédito à economia, escreve o BCE, sublinhando que as medidas de apoio ao setor financeiro representaram, em termos acumulados, 8% do PIB da zona euro.

Lusa

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