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Governo terá escondido prejuízos do BPN para não agravar o défice

Em 2012, a pedido de Maria Luís Albuquerque, na altura secretária de Estado do Tesouro, a empresa pública Parvalorem, que ficou com os ativos tóxicos do banco, terá ocultado parte das perdas. A investigação é da Antena 1. O Ministério das Finanças garante que não houve qualquer manipulação ou ocultação de contas.

© Rafael Marchante / Reuters

Revela a investigação da Antena 1 que, quando Maria Luis Albuquerque soube, em fevereiro de 2013, que as contas da Parvalorem apresentavam perdas de 577 milhões de euros com créditos em riscos de incumprimento, o que iria engordar o défice orçamental, fez o pedido à administração da empresa pública.

Tal pedido é admitido à Antena 1 pela administradora da Parvalorem Paula Poças, recordando a pergunta da então secretária de Estado: "qual é melhor expetativa quanto à informação que tínhamos às garantias no momento. Nós considerámos que não fazia sentido estrar a agravar no momento as imparidades".

No entanto, e de acordo com declarações à Antena 1 de uma fonte que refez o relatório da Parvalorem, a empresa pública fez uma operação contabilística para baixar os prejuízos em 150 milhões de euros, sendo o impacto adiado para exercícios futuros.

Para responder positivamente a Maria Luis Albuquerque, a administração da Parvalorem mudou as contas já auditadas, entregando-as três dias depois após o pedido, adianta a Antena 1.

"Foi uma martelada que demos nas contas, eu nem questionei, as ordens vinham de cima, para recalcular as imparidades de forma a baixar o valor, atuámos dentro da margem que tínhamos", revela à Antena 1 uma das fontes que refez o relatório.

Segundo um documento enviado à tutela, a Parvalorem anuncia: "após o trabalho cirúrgico conseguimos reduzir o valor das imparidades de 577 milhões de euros para 420 milhões de euros".

De acordo com a investigação, no mesmo dia, a empresa recebeu um agradecimento de Maria Luís Albuquerque, referindo que queria uma redução ainda superior, mas a admitir que talvez "não fosse possível melhor".

O Ministério das Finanças garante que não houve qualquer manipulação ou ocultação de contas. Sem confirmar ou desmentir a notícia da Antena 1, o gabinete de Maria Luís Albuquerque lembra que as imparidades são perdas potenciais, uma estimativa do que pode vir a materializar-se como prejuízo futuro.

O gabinete da ministra frisa ainda que essas imparidades são devidamente avaliadas por auditores e que há sempre registo nas contas quando se materializam efectivamente em perdas.

Com Lusa

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