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Mexia diz que governos têm dificuldade em "metas claras" para as emissões de CO2

O presidente executivo da EDP, António Mexia, afirmou hoje que o problema de emissões de dióxido de carbono (CO2) "está nos governos que têm tido dificuldade em estabelecer metas claras no combate" a esta questão.

© David Gray / Reuters

Em declarações à agência Lusa à margem da conferência "Alterações Climáticas. Contributo para Paris, Cimeira das Nações Unidas COP 21", realizada em Lisboa, António Mexia referiu que, apesar de Portugal estar nos dez países mais desenvolvidos nesta matéria, existem superpotências que têm que passar para o lado do país e da Europa, como os Estados Unidos, a China e a Índia.

"O objetivo é conseguir ter o máximo possível de países, nomeadamente os Estados Unidos, China mas também a India, Brasil com objetivos claros dessa redução" e que "ponham a fasquia relativamente alta" em relação às emissões de CO2.

Para o presidente da EDP, que estará também na cimeira das Nações Unidas em Paris, o problema hoje "já não está nas grandes empresas, que já perceberam que a questão da sua competitividade a prazo implica um apoio nessa descarbonização" e não está também na opinião pública.

"No seu dia a dia, quer nas zonas mais pobres em África, quer em zonas como a Califórnia, uma das mais ricas do mundo, está-se a sofrer com essas mudanças", frisou António Mexia, adiantando que as alterações climáticas dos últimos anos "tem levado numa das zonas mais ricas do mundo a que a vida das pessoas se tenha alterado, começando a discutir nas suas piscinas que não estão cheias e que a sua relva deixou de poder de ser regada".

O presidente da EDP considera que atualmente não existem barreiras tecnológicas para diminuir as emissões de CO2: "Os custos nivelados relativos de energia solar e de vento, nos últimos cinco anos, desceram 70%", sendo que "os carros elétricos, que tinham uma autonomia ridícula, estão agora com 400 quilómetros de autonomia".

Para António Mexia, "a tecnologia está a mudar mas não é aí que está a barreira, está nas atitudes das pessoas", além de que "a 'descarbonização' tornou-se muito mais barata hoje do que há dez anos", que, em termos de objetivos, "podem ser alcançados com muitos menores custos, temos de ter esta responsabilidade intergeracional".

A EDP e o Diário de Notícias organizaram hoje uma conferência sobre as alterações climáticas com a presença, entre outros, de Jean François Blarel, embaixador francês em Portugal, Filipe Duarte Santos, professor catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa de Ambiente, e Vasco Mello, CEO da Brisa.

Lusa

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