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Fitch diz que Brasil vai ter recessão de 2,5% no próximo ano

A agência de notação financeira Fitch estimou hoje que o Brasil vai ter uma recessão de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, prolongando a contração de 3% antecipada para este ano.

© Brendan McDermid / Reuters

"A recessão no Brasil deve continuar em 2016, contraindo-se mais 2,5%", diz a agência de 'rating' no relatório '2016 Outlook: Global Sovereigns', dedicado à evolução da avaliação das dívidas soberanas das principais economias mundiais.

Os valores hoje divulgados pioram significativamente a previsão de outubro, quando a agência antecipou uma retração da economia brasileira de 1%.

O relatório refere que na América Latina, "o fraco crescimento económico, as crescentes exigências de responsabilização política por parte da nova classe média, e a corrupção, são novos desafios à governação", e sublinha que "os riscos políticos com possíveis implicações no 'rating' são mais prementes no Brasil".

O Brasil, que tem um 'rating' de BBB-, o último na escala de recomendação de investimento, com uma Perspetiva de Evolução Negativa, atravessa uma crise política que pode resultar na destituição da Presidente Dilma Rousseff, e regista os piores indicadores económicos das últimas décadas, redundando numa recessão de 3% este ano e 2,5% em 2016, segundo a Fitch.

Em meados de novembro, num comentário video colocado na página desta agência de 'rating', que a 15 de outubro desceu a avaliação da dívida soberana do Brasil, a diretora do departamento dos 'ratings' na América Latina, Shelly Shetty, já antecipava valores mais negativos que os inicialmente previstos.

No vídeo, a responsável pela análise da dívida soberana da América Latina argumentou que "a médio prazo, as perspetivas de crescimento são mais fracas quando comparadas com outros países vizinhos e com a maioria dos mercados emergentes".

Para a Fitch, há várias razões para a baixa do 'rating' em outubro e para que a previsão de evolução da avaliação seja igualmente negativa, entre as quais se contam "o colapso do investimento, a destruição do emprego, o aumento do desemprego e o fraco crescimento".

A revisão negativa das previsões económicas abala a confiança e a credibilidade das instituições e do Governo, cuja ação política está diretamente relacionada com a evolução da economia, mas é também influenciada pelos indicadores.

"O ambiente político prejudica a economia, o ajustamento necessário e as reformas por três razões: reduzida popularidade do Governo, tensões entre o executivo e os aliados no Congresso, incluindo um possível processo de destituição e contaminação política da investigação à Petrobras", afirmou Shelly Shetty.

O 'negative outlook', ou seja, a perspetiva de evolução negativa da avaliação que a Fitch faz do país, pode ainda piorar com choques externos, entre os quais se contam o abrandamento da economia chinesa, a manutenção do preço baixo das matérias-primas, nomeadamente o petróleo, e a possibilidade de aumento das taxas de juro da Reserva Federal norte-americana.

"O desempenho abaixo do potencial na vertente económica e orçamental vai continuar, não vemos a estabilização da dívida pública e continuamos a ver riscos negativos para a perspetiva de evolução" da análise, conclui a analista, lembrando que "um 'negative outlook' significa que há mais de 50% de possibilidade de rever em baixa a nota da dívida soberana nos próximos 12 a 18 meses, mas até pode ser antes".

Lusa

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