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Dono da Fosun "está a cooperar com autoridades em investigação"

A Fosun International anunciou hoje que o seu presidente "está a cooperarar com as autoridades numa investigação". A empresa adinta que as suas ações vão voltar à negociação na próxima segunda-feira. Guo Guangchang, dono do Hospital da Luz e da Fidelidade, estava desaparecido desde ontem, havendo informações de que teria sido detido.

© Bobby Yip / Reuters

Em comunicado, o grupo chinês que detém em Portugal a seguradora Fidelidade e a Espírito Santo Saúde, afirmou ainda que Guo Guangchang vai continuar a participar nas decisões da empresa e que não há "impacto negativo" para o grupo das investigações em curso.

O comunicado não detalha, contudo, o motivo pelo qual o multimilionário chinês está a cooperar com as autoridades.

A Fosun tinha anunciado na quinta-feira que Guo Guangchang estava "incontactável", tendo esse desaparecimento ocorrido no meio de informações de que foi detido à chegada a Xangai, num voo proveniente de Hong Kong, no âmbito de uma investigação sobre corrupção.

Nascido na província de Zhenjiang, Guo fundou o grupo Fosun em 1992. O conglomerado controla atualmente, a nível internacional, inúmeras empresas do setor farmacêutico, imobiliário, retalho, aço, minas, seguros e fundos de investimento, incluindo a seguradora Fidelidade e Luz Saúde (antiga Espírito Santo Saúde) em Portugal.

Com uma fortuna pessoal de 6,61 mil milhões de euros, Guo Guangchang é o 11.º homem mais rico da China, segundo dados publicados pela revista norte-americana Forbes.

As autoridades chinesas mantêm um apertado escrutínio sobre o setor financeiro do país desde que, entre meados de junho e o dia 9 de julho, a bolsa de Xangai desvalorizou 30%, depois de ter avançado 150% no espaço de um ano.

No dia 27 de novembro, a Haitong, que adquiriu o antigo banco de investimento português BESI (atual Haitong) suspendeu as negociações nas praças financeiras de Xangai e de Hong Kong, após notificação de que estaria a ser investigada pelo regulador devido a suspeitas de irregularidades nos contratos estabelecidos com os clientes e a prática de empréstimos com imposição de margens.

Em Portugal, além da Fidelidade e da Luz Saúde, o Fosun detém uma participação de 5,3% na REN e foi um dos candidatos à compra do Novo Banco, até as negociações terem sido suspensas em setembro pelo Banco de Portugal.

No último ano, segundo os dados compilados pela agência Bloomberg até julho, o gigante empresarial, dono do Club Mediterranee, anunciou 10 aquisições num total de 6,4 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros).

Com Lusa