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BPI, Angola e Espanha: principais momentos

CRONOLOGIA

A administração do BPI anunciou hoje que ficou sem efeito o acordo que tinha sido estabelecido entre os seus dois maiores acionistas, CaixaBank e Santoro Finance, para resolver o problema da elevada exposição do banco português a Angola. Eis os principais momentos da relação do BPI com Angola e Espanha:

(Arquivo)

(Arquivo)

© Hugo Correia / Reuters

1981
Criação da Sociedade Portuguesa de Investimentos, sob a iniciativa de Artur Santos Silva.

1985
A SPI transformava-se em Banco de Investimento, passando a poder captar depósitos, conceder crédito a curto prazo, intervir nos mercados interbancários e praticar operações cambiais.

1986
A abertura do capital e entrada das ações nas Bolsas de Valores de Lisboa e do Porto.

1991
Aquisição do Banco Fonsecas & Burnay, com que o BPI entra na banca comercial e ganha dimensão, e parceria com o grupo brasileiro Itaú.

1995
Criação da holding bancária BPI SGPS. Entraram dois novos parceiros estratégicos. Ao Grupo Itaú, juntam-se assim a Caja de Ahorros y Pensiones de Barcelona (La Caixa) e o grupo segurador alemão Allianz.

1996
Aquisição do Banco de Fomento e Exterior e do Banco Borges & Irmão, com aumento da rede comercial de forma considerável e entrada em Angola e Moçambique.

1998
Criação do Banco BPI por fusão dos bancos comerciais Banco Fonsecas & Burnay, do Banco de Fomento e Exterior e do Banco Borges & Irmão.
A marca Banco BPI fica com a banca comercial e o BPI -- Investimentos com a banca de investimento.

1999-2001
O BPI reforça-se na banca comercial e constrói uma importante marca bancária nos anos seguintes

2002
Criação do Banco Fomento Angola (BFA) por transformação da sucursal de Luanda do Banco BPI em banco de direito angolano.

2004
Fernando Ulrich substitui Artur Santos Silva como presidente executivo do BPI, passando este fundador à presidência do Conselho de Administração.

2006
É lançada uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelo BCP, que o Conselho de Administração do BPI considera "totalmente inaceitável"

2008
O BPI anuncia a venda de 49,9% do BFA à operadora de telecomunicações angolana Unitel, controlada por Isabel dos Santos, filha do Presidente da República de Angola.

2012
Os brasileiros do Itaú vendem a sua posição no banco (de 18,87%) ao espanhol La Caixa por 93,4 milhões de euros. A blindagem de estatutos, que impede que qualquer acionista vote com mais de 20% dos votos, faz com que não seja necessário os espanhóis lançarem uma OPA. Poucos dias depois, é conhecido que o Caixabank vendeu 9,4% do BPI à 'holding' de Isabel dos Santos.
O Caixabank fica assim com 44,1% do BPI e a Santoro com cerca de 19%.
O BPI recorre ao Estado que lhe empresta 1.500 milhões de euros em instrumentos de capital contingente para aumentar capital. Devolve o dinheiro antes do prazo final estipulado. Inicia-se uma reestruturação do banco, pela qual vão sair centenas de trabalhadores.

2014
É conhecido que a exposição do BPI a Angola vai passar a ser avaliada pelas regras comunitárias, ficando acima do limite dos grandes riscos a partir de 2015.
Em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco liderado por Fernando Ulrich explica que o Banco Central Europeu (BCE) "não acolheu favoravelmente" uma solicitação para a alteração do método de consolidação do Banco de Fomento Angola (BFA), onde detém 51%.
O banco dizia então que aguardava que o BCE estabelecesse uma data limite para a tomada pelo banco das medidas necessárias ao cumprimento do limite dos grandes riscos. Essa data-limite, soube-se, entretanto, é 10 de abril de 2016.

2015

17 de fevereiro
O CaixaBank anuncia uma OPA sobre 100% do capital do banco português BPI, oferendo 1,329 euros por ação, num total de 1,082 mil milhões de euros.

2 de março
A empresária Isabel dos Santos, através da Santoro, envia uma carta aos presidentes das comissões executivas do BPI, BCP e CaixaBank, propondo a fusão entre os dois bancos portugueses.
Isabel dos Santos, que detém 18,6% do BPI, faz assim uma proposta que choca com os interesses da Oferta Pública de Aquisição (OPA) ao BPI por parte dos espanhóis do CaixaBank.

17 de junho
Os acionistas do BPI decidem em reunião magna chumbar a desblindagem dos direitos de voto a 20% no banco, passo que era essencial para o sucesso da OPA do CaixaBank. Ou seja, a OPA 'morreu' uma vez que o fim do limite de votos era condição do Caixabank.

30 de setembro
A administração do BPI propõe fazer a cisão dos ativos africanos do BPI (em Angola e Moçambique), passando-os para uma 'holding' independente detida pelos mesmos acionistas, o que permitia cumprir as exigências do BCE.

28 de dezembro
O BPI apresenta na Conservatória de Registo Comercial o projeto de cisão para separar as operações em África.

31 de dezembro
A angolana Unitel, controlada por Isabel dos Santos e que detém 49,9% do capital do Banco de Fomento Angola (BFA), quer adquirir mais 10% do banco angolano que estão nas mãos do BPI, pagando 140 milhões de euros. A intenção é que esta proposta alternativa à da cisão de ativos cumpra as regras do BCE.

2016

27 de janeiro
O Conselho de Administração do BPI rejeita, por unanimidade, a proposta apresentada pela Unitel, que oferecia 140 milhões de euros por 10% do capital do Banco de Fomento Angola (BFA). Fernando Ulrich dá a entender aos jornalistas que o BCE também não era favorável a essa proposta.

1 de março
A Bloomberg notícia que o CaixaBank e a empresária angolana Isabel dos Santos estão em negociações para o banco espanhol comprar a sua participação no banco BPI e que podem chegar a acordo "nos próximos dias".

2 de março
Santoro e Caixabank confirmam que estão em contacto para alcançar uma solução, mas que até esse momento ainda não chegaram a acordo.

19 de março
O Expresso notícia que o primeiro-ministro, António Costa, e Isabel dos Santos se reuniram em Lisboa e que terão conciliado posições com o grupo financeiro espanhol La Caixa precisamente sobre este tema do BPI.
Segundo as informações, o banco catalão iria comprar a parte da empresa angolana no BPI, lançando em seguida uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre o restante capital do banco liderado por Fernando Ulrich. Em contrapartida, Isabel do Santos ficava na totalidade com o Banco de Fomento Angola (BFA), adquirindo as ações aí detidas pelo BPI.
O chefe do Governo terá ainda dito que apoiava a entrada de Isabel dos Santos no BCP, continuando esta a manter, assim, uma presença forte no setor financeiro português.

24 de março
O espanhol Caixabank comunica ao mercado que que não conseguiu chegar a acordo com a empresa angolana Santoro, mas que irá "continuar a colaborar e a apoiar o BPI para encontrar uma solução para a situação de excesso de concentração de riscos decorrente da sua participação de controlo no BFA".

10 de abril
O BPI informa, através da CMVM, que terminaram com sucesso as negociações entre o CaixaBank e a Santoro Finance para encontrar uma solução para a "situação de incumprimento pelo banco BPI do limite de grandes riscos".

11 de abril
A CMVM suspende a negociação das ações do BPI na bolsa de Lisboa até à divulgação de informação relevante sobre o acordo alcançado entre os dois maiores acionistas.
O primeiro-ministro, António Costa, considera que o acordo acionista alcançado no BPI representa "um sinal de confiança" no futuro da economia portuguesa por parte de investidores internacionais e contribui para estabilizar o sistema financeiro português.
Já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirma que o acordo foi obra da intervenção dos privados, das entidades reguladoras e dos órgãos do poder político.

15 de abril
Os títulos do BPI completam cinco sessões suspensos de negociação na bolsa de Lisboa, por decisão do supervisor.

16 de abril
A empresária angolana Isabel dos Santos diz que ainda há "elementos pendentes" nas negociações que decorrem com o CaixaBank, o grupo espanhol que é o maior acionista do banco português.

17 de abril
O BPI anuncia que ficou sem efeito o entendimento que tinha sido anunciado ao mercado no a 10 de abril, acusando a Santoro Finance, controlada pela empresária angolana Isabel dos Santos, de desrespeitar o acordo que tinha estabelecido com o CaixaBank.

Lusa

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