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Montepio passa de lucro a prejuízo de 19,8 ME no primeiro trimestre

O Montepio Geral teve um resultado líquido negativo de 19,8 milhões de euros entre janeiro e março, que compara com o lucro de 9,8 milhões de euros obtido em igual período de 2015, informou hoje a entidade.

No comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o banco mutualista sublinhou que esta evolução é explicada pelo "impacto, em custos operacionais, do processo de racionalização da estrutura operativa, no âmbito do plano estratégico em vigor, e que tem como objetivo o redimensionamento dos recursos afetos à atividade".

Os custos relacionados com este processo ascenderam a 9,2 milhões de euros, especificou o Montepio, que antecipa que os impactos positivos resultantes do mesmo vão atingir os 35 milhões de euros até ao final do ano.

Além disso, o plano da equipa de gestão liderada por José Félix Morgado responde à "necessidade de ajustar a instituição aos desafios suscitados pela economia, pelo mercado e pelas novas tendências comportamentais".

Para além do impacto do processo de reestruturação em curso nos resultados, o prejuízo apurado é também explicado pelo "menor contributo dos resultados com a carteira de dívida pública portuguesa", sublinhou o banco.

No primeiro trimestre deste ano, os resultados relacionados com a carteira de dívida soberana portuguesa atingiram 7,3 milhões de euros, muito abaixo dos 78,4 milhões de euros no período homólogo de 2015.

Em termos globais, os resultados de operações financeiras ascenderam a 1,6 milhões de euros, que comparam com 85,1 milhões de euros no período homólogo, "os quais incorporam 69,4 milhões de euros relacionados com resultados de alienação de títulos de dívida pública portuguesa, face a 2,9 milhões de euros registados no primeiro trimestre de 2016", especificou a entidade.

Já a margem financeira situou-se em 60,6 milhões de euros no primeiro trimestre, ligeiramente abaixo dos 62,6 milhões de euros em igual período de 2015.

De resto, graças ao aumento do capital institucional e a venda de unidades de participação próprias do Fundo de Participação da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG), conjugado com a redução dos ativos ponderados pelo risco (RWA), os quais desceram 1.530 milhões de euros (-9,9%), houve um incremento dos fundos próprios no valor de 301,5 milhões de euros.

Assim, houve um reforço dos rácios de capital, com o rácio 'common equity tier 1' (CET1) 'phasing in' (em transição para as novas regras europeias) a fixar-se nos 10,4%.

O rácio de transformação ascendeu a 101,9% no final de março (contra 92,5% no final do mesmo mês de 2015).

Os depósitos de clientes caíram 13,3% para 12,5 mil milhões de euros e o crédito a clientes baixou 4,9% para 14,8 mil milhões de euros.

Durante o primeiro trimestre, o Montepio fechou 53 balcões em Portugal, para um total de 383 agências, e reduziu o número de colaboradores em 113 pessoas para um total de 3.793 trabalhadores.

Lusa

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