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Preço da sardinha e importações disparam em 2015 devido a limites de pesca

A quantidade de sardinha transacionada nas lotas portuguesas foi em 2015 a mais baixa de sempre, enquanto o preço disparou para o valor mais elevado dos últimos 20 anos, com as importações a atingirem o dobro das capturas.

© Nacho Doce / Reuters

Segundo as Estatísticas da Pesca divulgadas hoje pelo INE, as restrições à pesca de sardinha reforçaram, por outro lado, a importância de espécies pouco valorizadas, como a cavala, que foi o peixe mais pescado no ano passado em Portugal, com 46,4 mil toneladas, um terço do total.

As 140,8 mil toneladas de pescado fresco ou refrigerado capturadas pela frota nacional renderam, no mercado de primeira venda, 261 milhões de euros (+5,4% do que em 2014), mas o preço médio do peixe descarregado não foi além dos 1,81% euros por quilo, o mais baixo desde 2012.

Já no caso da sardinha, o preço médio das transações subiu para 2,19 euros, o mais elevado em vinte anos, face à escassa quantidade de peixe vendido em lota (13.729 toneladas, das quais 13.690 no Continente).

Entre 1995 e 2005, as descargas de sardinha variaram a um ritmo médio anual de -8,5%. Nos últimos quatro anos (2012-2015), a quantidade média (cerca de 22 mil toneladas) foi 65,6% inferior à média descarregada entre 2005 e 2011 (64 mil toneladas).

A quota de pesca de sardinha tem vindo a ser reduzida no quadro de um conjunto de medidas adotadas para permitir a recuperação do 'stock' da espécie, que se encontra em dificuldades.

As importações de sardinha fresca e congelada cresceram a um ritmo médio anual de 11,6% em termos de quantidade e 15,9% em valor entre 2010 e 2015, atingindo 35,5 milhões de euros em 2015 e uma quantidade que foi quase o dobro (1,8 vezes) da sardinha capturada e descarregada nos portos do Continente.

Espanha foi o principal fornecedor de sardinha fresca (98%), bem como de sardinha congelada (69,9%), tendo Marrocos ocupado o segundo lugar (23,3%).

Face às limitações de captura da sardinha, a frota tem orientado a atividade pesqueira para outras espécies como a cavala e o carapau, que tiveram acréscimos de 57,5% e 33,7%, respetivamente.

No caso do carapau, os armadores estão ainda longe de esgotar as quotas, já que a fraca valorização da espécie, cujo preço médio tem vindo a cair e fixou-se em 1,01 euros por quilo em 2015, não permite que este peixe se revele como uma verdadeira alternativa à sardinha.

A cavala, cujo preço médio aumentou 2,3% face a 2014, chegou ao mercado da primeira venda a 0,28 euros por quilo, 7,9 vezes abaixo do custo da sardinha.

Lusa

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