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Conservas inovam para ultrapassar falta de sardinha e apostam no carapau

A indústria conserveira tem apostado na inovação para ultrapassar a escassez de sardinha e já trabalha 16 espécies diferentes de peixe, incluindo o carapau, segundo o secretário-geral da Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe (ANICP).

© Rafael Marchante / Reuters

Falta agora criar apetência para este tipo de produto: "Ainda não há um grande mercado para o carapau. É evidente que, para se fabricar esse tipo de produtos, é preciso que haja quem compra. Estar a fabricar para a prateleira não tem interesse nenhum para uma empresa", comentou Castro e Melo.

Face às limitações de pesca de sardinha, a indústria conserveira nacional tem procurado encontrar alternativas, usando espécies abundantes como a cavala, cujas exportações passaram de 37 milhões de euros em 2013 para 45 milhões em 2015 e começaram inclusivamente a cativar o mercado interno.

Castro e Melo sublinhou que as empresas do setor têm "inovado muito" e já processam atualmente 16 espécies diferentes, embora a sardinha, a cavala e, sobretudo, o atum - a conserva favorita dos portugueses - sejam as mais representativas em termos de volume.

Segundo as Estatísticas da Pesca divulgadas na terça-feira pelo INE, as exportações de conservas, tradicionalmente o produto de pesca mais exportado, caíram em 2015 para a terceira posição, com um total de 185,4 milhões de euros, um decréscimo para o qual terão contribuído as restrições à pesca de sardinha.

O responsável da ANICP realça, no entanto, que a exportação de conservas não se resume às tradicionais, de atum, sardinha ou cavala, sendo cada vez mais comum encontrar outros produtos como os moluscos, os polvos, as lulas.

A categoria de produtos que engloba os crustáceos e moluscos vendeu, aliás, 18 milhões de euros ao exterior em 2015.

Face à quota de pesca de sardinha reduzida que tem sido disponibilizada aos pescadores portugueses, a indústria tem-se virado para outros fornecedores, nomeadamente Espanha (da Cantábria, que não faz parte do mesmo stock), França ou Marrocos.

Ainda assim, reconhece Castro e Melo, não é suficiente para suprir a quantidade de sardinha nacional que normalmente a indústria usa, sendo estas as conservas que "fazem a diferença" nos mercados internacionais, em termos comerciais.

Por outro lado, as importações de conservas têm vindo a abrandar, à medida que a oferta nacional conquista terreno.

"Em 2015, as importações face a 2013 caíram quase 50%, o que significa que o mercado interno tem crescido e essa diminuição de certo modo foi ocupada por vendas de conservas nacionais", destacou o secretário-geral da ANICP.

Lusa

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