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OCDE mais pessimista para zona euro

A OCDE piorou as estimativas de crescimento económico da zona euro para 1,6% este ano e 1,7% no próximo, defendendo que os diferentes governos devem fazer mais para acelerar o PIB dos países da moeda única europeia.

© Kai Pfaffenbach / Reuters

Nas previsões económicas divulgadas hoje, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em baixa perspetiva de crescimento económico da zona euro, para 1,6% este ano e para 1,7% no próximo, quando em novembro estimava que o Produto Interno Bruto (PIB) avançasse 1,8% e 1,9%, respetivamente.

"Projetamos que a recuperação se mantenha moderada, com o crescimento do PIB a atingir 1,7% em 2017. Os estímulos monetários sustentados e os baixos preços do petróleo vão apoiar a procura interna, mas o abrandamento das economias emergentes vai prejudicar as exportações", lê-se no relatório preparado por uma equipa do departamento de estudos económicos da OCDE, liderado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira.

Assim, apesar de considerar que a política orçamental se vai manter ligeiramente expansionista no conjunto da zona euro até 2017, a OCDE defende que "será necessário mais apoio para acelerar a economia" nos próximos dois anos.

Nesse sentido, considera, "alguns países têm margem para providenciar um estímulo adicional", defendendo que os governos com margem orçamental devem investir em infraestruturas, o que teria impacto não só no curto prazo, mas criaria "as fundações para uma expansão mais sustentada".

Além disso, a organização liderada por Ángel Gurría defende reformas nos impostos e na despesa pública que sejam 'amigas do crescimento' e do emprego: "Diminuir os impostos sobre o trabalho, especialmente para aqueles que recebem menos, direcionar a despesa pública para o investimento, educação e cuidados com as crianças e aumentar a eficácia com os gastos públicas pode ajudar a impulsionar o crescimento e a torná-lo mais inclusivo".

Isto porque, para a OCDE, a recuperação económica "continua a ser desigual de país para país" da zona euro e essas desigualdades no produto e no emprego apenas foram corrigidas pontualmente - e de forma modesta - desde a crise da dívida soberana.

"Entre os países que mais foram atingidos, apenas a Irlanda e Espanha cresceram claramente acima da média da zona euro. Os países mais afetados pela crise eliminaram largamente os seus défices externos, mas, na maioria dos casos, isto reflete ainda uma procura interna fraca. A Irlanda e Espanha destacam-se novamente pelas suas exportações fortes, que são essenciais para evitar que novos défices externos voltem a surgir", escreve a organização.

A OCDE também piorou as estimativas para o saldo orçamental do conjunto dos 19 países da moeda única, estimando agora um défice de 1,8% do PIB conjunto para este ano e de 1,4% para o próximo, quando em novembro previa défices de 1,7% e 1%, respetivamente.

Por outro lado, a organização melhorou as perspetivas para a dívida pública, estimando que desça para 92,4% este ano e para 91,3% no próximo (contra os 93,1% em 2016 e os 91,4% em 2017 estimados em novembro).

Também a previsão para taxa de desemprego dos países da moeda única melhorou: em novembro, a OCDE previa que ficasse nos 10,4% este ano e agora estima que desça para os 10,2%. Para 2017, a organização mantém a previsão de 9,8%.

Lusa

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