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UTAO estima défice de 3,3% do PIB no 1º trimestre

A UTAO diz que o défice terá ficado nos 3,3% do PIB no primeiro trimestre do ano. Os técnicos do Parlamento avisam para o desvio face ao objetivo anual (2,2%) que "coloca desafios" ao Governo para o resto do ano.

reuters

Pelas contas dos técnicos do Parlamento, o saldo das admnistrações publicas deverá situar-se entre os 2,6% e os 4%, o que dá a média de 3,3%

A UTAO diz que a estimativa, a concretizar-se, não coloca em causa o cumprimento do objetivo do Governo, mas complica a vida ao Executivo que terá de arranjar soluções para corrigir a trajetória orçamental.

Economia terá de crescer 0,9% por trimestre para alcançar meta do Governo

"Tendo em conta a divulgação da estimativa das contas nacionais sobre o primeiro trimestre de 2016 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), de um crescimento em cadeia de 0,2%, verifica-se que para obter um crescimento de 1,8% do PIB em 2016 será necessário que a variação média em cadeia dos trimestres seguintes seja aproximadamente de 0,9%", estimam os técnicos especialistas da UTAO.

Na nota sobre a execução orçamental até abril, a que a agência Lusa teve hoje acesso, a UTAO admite que esta previsão é agora "mais exigente" do que na altura da realização do Orçamento do Estado e do Programa de Estabilidade.

"No âmbito destes documentos, para um crescimento do PIB de 1,8% era necessário que o crescimento médio em cadeia do PIB fosse de 0,5% e 0,6%, respetivamente. Contudo, os dados revelados situaram-se abaixo desse crescimento médio, pelo que será necessário que os trimestres seguintes cresçam a uma taxa superior (em média 0,9%) para que se mantenha o crescimento anual previsto (1,8%)", escreve a UTAO.

Os técnicos afirmam ainda que, caso a média dos crescimentos se situe nos 0,6% - como previsto nos dois documentos preparados pelo executivo liderado por António Costa, "estima-se que o crescimento anual do PIB em 2016 seja de 1,4%".

No primeiro trimestre deste ano, a economia portuguesa avançou 0,2% em cadeia e 0,9% em termos homólogos, o que significou que o ritmo de crescimento se manteve face ao trimestre anterior, mas que abrandou face ao mesmo período de 2015 (quando a economia avançou 1,7%).

A UTAO junta-se assim aos organismos internacionais e centros de estudos nacionais que duvidam das estimativas de crescimento previstas pelo Governo. Recentemente, foi a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que se mostrou mais pessimista do que o executivo, apresentando uma estimativa de crescimento da economia portuguesa de 1,2% este ano.

Por sua vez, o Governo tem afirmado que não será necessário rever as metas.

Com Lusa

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