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Primeiro-ministro francês anuncia cedências ao setor ferroviário para interromper greve

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, anunciou hoje um pacote de concessões ao setor ferroviário, em particular à empresa estatal SNCF, para tentar terminar com uma vaga de greves no setor, que prosseguem na quinta-feira pelo nono dia consecutivo.

© Philippe Wojazer / Reuters

No decurso de uma audiência parlamentar, Valls revelou um conjunto de medidas, em particular uma verba de 90 milhões de euros para reduzir as portagens pagas pelos comboios de mercadorias e um aumento das propostas orçamentais para modernizar as infraestruturas.

Em 2017 prevê-se que o Estado conceda 100 milhões de euros suplementares para a renovação da rede ferroviária, e que segundo as projeções deverá atingir os 500 milhões de euros suplementares anuais em 2020.

Globalmente, precisou o primeiro-ministro francês, passará dos 2.500 milhões de euros anuais destinados à modernização das vias ferroviárias e outras infraestruturas para os 3.000 milhões em 2020, que garantiu igualmente as subvenções do Executivo para manter "o atual equilíbrio económico" na exploração das linhas subvencionadas.

Manuel Valls não se comprometeu com uma das principais reivindicações da Sociedade nacional de caminhos-de-ferro (SNCF), que pretende que o Estado assuma uma parte da dívida, que ultrapassa os 50.000 milhões de euros.

No entanto, afirmou que o Executivo apresentará perante o parlamento em agosto um relatório sobre a forma de assumir "uma parte ou a totalidade dessa dívida".

As propostas de Valls destinam-se a retirar argumentos aos três sindicatos da SNCF (CGT, Sud Rail e FO), que mantêm uma greve ilimitada iniciada a 31 de maio apesar da proposta negociada para um novo acordo de empresa sobre o horário de trabalho e que praticamente garante as atuais condições.

As diversas assembleias gerais que decorreram hoje decidiram prolongar as paralisações, que segundo a agência noticiosa France-Presse têm uma adesão muito reduzida (cerca de 8,5%), mas que forçaram a empresa a cancelar em algumas linhas cerca de metade dos comboios habituais.

Os protestos da SNCF constituem o principal desafio, mas não o único, que o Governo enfrenta no terreno social, na sequência da contestada reforma laboral que pretende aplicar, e nas vésperas do Campeonato da Europa de futebol (Euro 2016) que se inicia sexta-feira em França.

Os pilotos da Air France convocaram uma greve entre 11 e 14 de junho, e para esta tarde estava prevista uma reunião entre as partes, enquanto prossegue a paralisação de alguns dos principais centros de recolha de resíduos urbanos na região de Paris e Marselha.

Lusa

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