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Venezuelanos protestaram nas ruas contra insegurança e falta de bens alimentares

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Pelo menos uma pessoa faleceu hoje, em Caracas, durante protestos contra a falta de alimentos, num dia em que os venezuelanos saíram também às ruas para reclamar pela insegurança e pela falta de cerveja.

© Carlos Garcia Rawlins / Reute

© Ivan Alvarado / Reuters

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Os protestos começaram na autoestrada Caracas - La Guaira, que liga a capital da Venezuela ao principal aeroporto do país, por causa da insegurança, num dia em que as autoridades localizaram o cadáver de um motorista de autocarros de passageiros que tinha sido sequestrado por homens armados.

Por outro lado, em La Vega, na zona oeste de Caracas, um grupo de cidadãos tentou saquear vários estabelecimentos comerciais, situação que foi controlada pela Guarda Nacional Bolivariana (GNB, polícia militar) e Polícia Nacional Bolivariana, que dispersou os manifestantes com tiros de borracha e jatos de água.

Em resposta, a população, entoando o Hino Nacional da Venezuela, atirou pedras, garrafas e engenhos explosivos (feitos em casa) contra as forças de segurança. Um funcionário da GNB e outro da PNB foram feridos com tiros.

Ainda em La Veja, o condutor de um camião de transporte de produtos básicos ficou ferido, depois de ter sido alvo de um assalto e baleado por indivíduos desconhecidos, tendo oferecido resistência.

Também em Caracas, dezenas de pessoas interromperam a circulação na Avenida Intercomunal de El Valle (populoso bairro pobre da zona sul), reclamando o abastecimento de produtos alimentares.

Os protestos abrangeram ainda as localidades de La Candelária, La Pastora, Altagracia, todas em Caracas, com a população a reclamar contra a falta de abastecimento de alimentos e elevados preços da cerveja, a bebida com álcool mais consumida pelos venezuelanos.

O coordenador da Frente de Defesa do Norte de Caracas, Carlos Júlio Rojas, queixou-se aos jornalistas que os venezuelanos não "puderam festejar com uma cerveja bem fria" a vitória da 'Vinotinto' (equipa de futebol venezuelana) que se classificou quinta-feira para os quartos de final do campeonato da América Latina.

"Somos o primeiro país do nosso continente e o oitavo do mundo que mais consome esta bebida (cerveja). É uma tradição beber a popular 'birra' (cerveja) no bairro, com a família, jogando dominó, vendo o basebol e futebol e até isso este regime nos tirou", disse.

Por outro lado, em La Candelária a população manifestou-se porque as autoridades municipais proibiram a formação de filas junto aos supermercados, e falta leite, farinha, pão e arroz, entre outros bens essenciais.

Ainda em Caracas, na zona leste, o populoso bairro de Petare e as vizinhas localidades de La Urbina e Palo Verde amanheceram hoje fortemente militarizadas, um dia depois de a população saquear vários camiões de alimentos e uma padaria de luso-venezuelanos.

Fora da capital, há registos de protestos na Avenida Las Delícias da cidade de Maracay (100 quilómetros a oeste) e de um protesto em Mucuruba, Mérida (800 quilómetros a sudoeste da capital). Ambos foram dispersados pelas forças de segurança, que usaram bombas de gás lacrimogénio e balas de borrachas contra os manifestantes.

Lusa

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