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Maioria do petróleo usado na UE vem de empresas não-europeias

80% do petróleo usado na União Europeia (UE) provém de empresas não europeias, com predominância da Rússia, que garante um terço do produto importado, segundo um estudo divulgado hoje pela Quercus.

© Lucy Nicholson / Reuters

O estudo sobre a dependência do petróleo da UE, elaborado pela Cambridge Econometrics para a Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), da qual a associação ambientalista portuguesa Quercus faz parte, adianta que apenas dois dos 10 principais fornecedores de petróleo são europeus.

O estudo indica também que a maior parte do petróleo importado é fornecido por empresas de países com uma situação política e social instável, como são os casos da Rússia e da Líbia.

Em comunicado, a Quercus considera que "a excessiva dependência energética do petróleo externo está a dar lucro às grandes companhias petrolíferas destes países, aumentando a insegurança energética na UE".

O estudo da T&E refere que as empresas russas Rosneft e Lukoil representam a maior quota de importações de crude de petróleo para a UE.

A T&E estima que os custos associados à importação de petróleo e gasóleo podem ascender a 300 euros por ano por cada cidadão europeu, "dinheiro que está a fluir para fora da economia europeia".

A Quercus sublinha que a dependência das importações de petróleo bruto tem "aumentado drasticamente na Europa nos últimos 15 anos", acontecendo o mesmo com a dependência das importações de gasóleo, que duplicou, entre 2001 e 2014, para 35 mil milhões de euros.

Por sua vez, a produção doméstica da UE e as importações de crude a partir de países com um nível de instabilidade geopolítica muito baixo, como a Noruega, têm diminuído, agravando a insegurança energética europeia, acrescenta o comunicado da associação ambientalista portuguesa.

O estudo refere igualmente que os transportes são o setor mais dependente do petróleo importado na UE, representando dois terços da procura de produtos petrolíferos finais na Europa.

Para a Quercus, a implementação de medidas de descarbonização dos transportes poderia trazer claros benefícios ao nível da segurança económica, ambiental e energética, uma vez que a queima de combustíveis fósseis está diretamente associada às emissões de dióxido de carbono (CO2), o mais importante gás com efeito de estufa (GEE).

A Comissão Europeia vai publicar, a 20 de julho, a Estratégia Europeia de Mobilidade de Baixo Carbono.

Nesse sentido, a Quercus apela à Comissão Europeia para que proponha novos e ambiciosos limites de emissão de CO2 para os veículos ligeiros de passageiros, comerciais e pesados, para 2025, e desenvolva uma estratégia abrangente para impulsionar os veículos elétricos no setor dos transportes.

A Quercus propõe ainda medidas para reduzir as emissões da aviação e do transporte marítimo internacional e o fim dos apoios públicos à produção de biocombustíveis não sustentáveis.

"Estabelecer um plano ambicioso com vista à descarbonização dos transportes reduzirá a procura de petróleo e garantirá que o dinheiro dos contribuintes europeus fica salvaguardado, com o fomento da inovação, da criação de emprego e da segurança energética", refere ainda a associação ambientalista.

Com Lusa

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