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Moody's considera que banca é das principais causas do baixo crescimento de Portugal

A Moody's considera que a fragilidade bancos portugueses, com elevados níveis de ativos problemáticos nos seus balanços, é uma das principais causas do fraco crescimento económico Portugal.

"Coletivamente, os bancos portugueses estão entre os menos capitalizados da zona euro e não vemos espaço para grandes melhorias nos próximos 12 a 18 meses", diz a agência de notação financeira Moody's num relatório hoje publicado sobre o setor bancário, em que diz que apesar da ligeira melhoria na rentabilidade das instituições em Portugal, essa ainda permanece um desafio, agravada pelo contexto de menores receitas devido à queda das taxas de juro e dos ganhos em operações financeiras.

Além disso, refere, os ativos problemáticos - nomeadamente o crédito malparado - são ainda "muito elevados" nos bancos portugueses, ainda que "permanecem genericamente estáveis", o que é mais uma fragilidade dos bancos.

A Moody's diz mesmo que "os problemas estruturais no sector bancário são um dos principais fatores para as moderadas perspetivas de crescimento" em Portugal, já que com tantos ativos problemáticos no balanço os bancos são "empurrados para uma desalavancagem agressiva do setor corporativo", pelo que as empresas não conseguem financiamento para investir, penalizando fortemente a economia.

Há dois assuntos em particular que preocupam a Moody's, a venda do Novo Banco e a capitalização do banco público Caixa Geral de Depósitos (CGD), que está a ser negociada entre as autoridades portuguesas e europeias.

"A incapacidade para recapitalizar suficientemente a CGD não só coloca a solvabilidade do banco em risco, como pode afetar a estabilidade de todo o sistema bancário português dada a sua posição proeminente no mercado", afirma a Moody's, que destaca a quota de mercado da Caixa de 29% nos depósitos e 22% em empréstimos no final de março.

Apesar de não se saber o montante de capital que será injetado na CGD - apesar de a imprensa referir que a futura administração, liderada por António Domingues, queria um valor de cerca de 5 mil milhões de euros - a Moody's indica que o Estado português deverá endividar-se nos mercados para ter a quantia que vier a ser necessária.

A Moody's fala nos "modestos níveis de capital" que a CGD apresenta, com um rácio 'common equity tier 1' (CET 1,medida de avaliar a solvabilidade) de 10,4% no final de março, para considerar que é necessário melhorar estes níveis, isto quando ainda não são conhecidas as necessidades de capital que serão decididas pelo Banco Central Europeu (BCE) no âmbito de um exercício que sairá no final do ano. Além disso, a CGD tem ainda de ter uma almofada adicional de 1% no rácio CET1 a partir de janeiro de 2017 por ser considerada uma instituição sistémica em Portugal.

"Além disso, há a forte possibilidade de uma erosão do capital da CGD nos próximos meses" se o banco continuar a apresentar prejuízos, alerta a Moody's.

A CGD teve prejuízos de 74,2 milhões de euros no primeiro trimestre de 2016, valor que compara com um resultado líquido positivo de 2,1 milhões no mesmo período do ano passado.

Lusa

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