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Maria Luís critica caminho que levou à crise e ao resgate

NUNO VEIGA

A vice-presidente do PSD Maria Luís Albuquerque criticou esta terça-feira o caminho seguido pelo Governo de "repetição do que já foi feito", lembrando que o resultado foi uma crise financeira e um pedido de resgate.

No regresso à Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, agora já sem o 'fato' de ministra das Finanças que 'vestia' em 2015, Maria Luís Albuquerque fez um discurso pessimista, numa 'aula' onde 'colou' a atual governação socialista aos tempos de Governo de José Sócrates, lembrando por exemplo que a aposta no consumo já foi testada no passado e resultou na crise financeira.

"A aposta na distribuição de recursos internos para consumo interno já foi testada no passado e resultou da forma que todos nós sabemos: uma crise financeira que obrigou um pedido de resgate.

"Quando se desenvolve um modelo que diz que é com o aumento do consumo, com o estímulo da procura interna que nós vamos conseguir crescimento, aquilo que nós podemos estranhar é porque é que alguém se surpreende com o resultado que estamos a assistir", vincou, insistindo que se trata de "uma repetição do que já foi feito antes".

Recusando as "desculpas" do "inimigo do costume", ou seja, as crises externas, porque países com a mesma envolvente externa apresentam taxas de crescimento muito superiores à portuguesa porque estão "a fazer as escolhas certas", a vice-presidente do PSD disse estar a ter uma sensação de 'déja vu', recordando que não foi assim há tanto tempo que a atenção internacional estava focada em Portugal pelos piores motivos.

"O que é penoso é perceber quão rapidamente se destrói aquilo que foi tão difícil construir e exigiu tantos sacrifícios dos portugueses", lamentou, considerando que as dúvidas que os investidores já apresentam são um "sinal de alerta" que não pode ser ignorado.

"A esquerda tem uma enorme vontade de distribuir riqueza, mas uma aparente falta de vontade de criar riqueza", disse, considerando que procurar distribuir o que não se tem é apenas distribuir mais dívida, mais impostos e mais encargos futuros.

Colocando o PS "muito mais próximo da extrema-esquerda", Maria Luís Albuquerque falou ainda da "pressa" do Governo em cumprir os acordos de Governo que assinou com o BE, o PCP e o PEV, e disse ter dúvidas quanto ao cumprimento das metas do défice.

Quanto ao défice, a ex-ministra das Finanças apontou um objetivo: "o objetivo tem de ser tendencialmente um orçamento equilibrado, mas durante o tempo mais longo que for possível ter um orçamento excedentário para podermos reduzir a dívida pública"

"Ficar abaixo dos 3% é um objetivo de passagem, no caminho daquele que deve ser o nosso verdadeiro objetivo de médio prazo", sublinhou, lembrando que os 3% é o valor máximo permitido pelas regras do tratado orçamental.

No final de um discurso alinhado com as críticas e previsões pessimistas que o presidente do PSD também tem deixado, Maria Luís Albuquerque teve ainda oportunidade de deixar um elogio ao líder social-democrata.

Questionada por um dos 'alunos' da Universidade de Verão sobre a possibilidade de um dia se candidatar à liderança do partido, a antiga ministro das Finanças do Governo de Pedro Passos Coelho disse não perceber a pergunta: "Temos um presidente do partido, nem sequer percebo a pergunta, temos um presidente e estamos muitíssimo bem servidos".

Lusa

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