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Venezuela quer que empresas portuguesas se estabeleçam no país

A Venezuela está a passar por uma transformação na sua economia e pretende incorporar capital estrangeiro na sua estrutura económica, interessando-lhe que as empresas portuguesas se estabeleçam no país, afirmou hoje um ministro da Venezuela.

"Nós estamos a viver um momento complexo na nossa economia, há um processo de transformação da economia para um modelo produtivo, assim, estamos a abrir a nossa economia, a nossa estrutura económica para que se incorpore o capital internacional", declarou à Lusa Jesus Faria ministro do Comércio Exterior e Investimento Internacional da Venezuela.

Na entrevista à Lusa, afirmou: "nós estamos muito interessados que empresas portuguesas, empresas que num passado recente tiveram uma destacada participação em nosso desenvolvimento, empresas muito sérias, de grande compromisso, que cumprem com os acordos, que possam chegar maciçamente e incrementar a sua presença para que nos possamos desenvolver".

O ministro, que esteve na quinta-feira em Lisboa num seminário na sede da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), destacou o grande nível já alcançado nas relações económicas, políticas e culturais entre os dois países.

Jesus Faria referiu que o Governo venezuelano tem grande esperança que estas relações "continuem a aumentar".

"Nosso plano de industrialização passa pela substituição de importações e pela promoção das exportações e, para isso, é absolutamente necessário o contacto, a comunicação, a informação fluida e gerar sobre essa base muita confiança", indicou.

Segundo o ministro, a Venezuela pretende que os empresários sintam essa "transparência e confiança".

"(Queremos) convidar os empresários portugueses para que participem nesse processo, que é muito importante e histórico para a nossa economia, sobretudo na transformação para a industrialização, para a produtividade e que contribuam para o seu benefício e também para o benefício e desenvolvimento do país", afirmou.

Sobre a situação da TAP, lembrou que a companhia aérea portuguesa manteve as operações no país e é do interesse da Venezuela que a empresa aérea portuguesa "funcione de uma maneira estável, para que possa seguir consolidando a sua participação na Venezuela".

A 30 de maio, a administração da TAP disse que vai manter a operação para Caracas, na Venezuela, de três voos semanais, apesar do agudizar da crise económica e da retenção de capitais no país latino-americano, que já levaram várias companhias aéreas a cancelar o destino.

A TAP consolidou nas contas do ano passado 91,4 milhões referentes a vendas na Venezuela, cujo valor ainda não foi transferido, situação agravada por diversas desvalorizações cambiais.

"No caso das companhias aeres, incluindo a TAP, não há legalmente uma dívida do Estado venezuelano para com as empresas, são requerimentos de transferências de recursos, repatriação de lucros que estão a ser solicitados", referiu o ministro.

Jesus Faria disse que a Venezuela é a principal interessada "em resolver os problemas que tenham as empresas nacionais e internacionais".

Lusa

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