sicnot

Perfil

Economia

Dívida privada vale 89 mil milhões de euros no mundo e deve ser reestruturada

O FMI estima que a dívida privada mundial represente 89 mil milhões de euros, defendendo a sua reestruturação, sobretudo na zona euro, através de políticas orçamentais que promovam a reparação dos balanços dos bancos e o crescimento económico.

O Fiscal Monitor divulgado esta quarta-feira apresenta, pela primeira vez, um número para a dimensão da dívida não financeira (inclui a pública, a das famílias e das empresas) do mundo: 152 biliões de dólares, ou 225% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, dos quais 100 biliões (ou dois terços do total) dizem respeito a dívida privada (compromissos de empresas e das famílias), enquanto os restantes biliões são dívida pública.

"Embora nem todos os países apresentem um mesmo tipo de dívida, a forte dimensão da dívida global aumenta os riscos para a desalavancagem (processo de redução do endividamento), o que pode comprometer o crescimento económico mundial", afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI), num artigo que acompanha o Fiscal Monitor.

No caso dos países desenvolvidos, aponta o Fundo, a desalavancagem tem sido desigual: em vários casos a dívida privada continuou a subir e noutros também a pública subiu, devido em parte à assunção dos compromissos do setor privado através de resgates a bancos.

Sobretudo na Europa, esta "desalavancagem incipiente" e a baixas taxas de crescimento económico e de inflação resultaram "num ciclo vicioso que atrasou a resolução dos ativos problemáticos dos bancos, dificultando o fluxo de crédito e pressionando o crescimento económico".

Nesse sentido, a equipa liderada pelo ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, que é agora diretor do departamento de Assuntos Orçamentais do FMI, defende que "a resolução do problema da dívida exige políticas orçamentais que suportem a atividade económica e que criem incentivos para a reestruturação da dívida privada, ao mesmo tempo que facilitam a reparação dos balanços dos bancos".

Estas políticas "são importantes para os países desenvolvidos, sobretudo para a zona euro, onde a lentidão em resolver as contínuas fragilidades da banca está a prejudicar o crescimento económico", defende.

A instituição sediada em Washington defende que são necessárias "intervenções específicas, como programas patrocinados pelo Estado, para reestruturar a dívida privada".

Entre os exemplos estão subsídios a credores para prolongamento das maturidades, garantias ou empréstimos diretos, que podem "acelerar a reestruturação voluntária da dívida privada".

No entanto, este pacote de medidas deve ser acompanhado por "enquadramentos legais fortes", direcionados a insolvências e falências, e guiado por "princípios de governança fortes que limitem abusos e que salvaguardem os fundos públicos".

Por outro lado, escreve o FMI, a "reestruturação do setor financeiro, incluindo injeções de capital publico e a criação de companhias de gestão de ativos, pode ajudar à limpeza dos balanços dos bancos".

A instituição sublinha que é necessário uma "ação decisiva e imediata para reparar os balanços dos bancos - uma clara prioridade em alguns países europeus".

Ainda assim, considera que a política orçamental não pode resolver o problema da dívida sozinha: "Dado a margem limitada, é imperativo explorar complementaridades entre diferentes ferramentas - incluindo monetárias, financeiras e estruturais - para conseguir mais resultados de qualquer intervenção política", aponta.

O FMI lembra ainda que "a crise financeira global mostrou que é muito fácil subestimar os riscos associados ao excesso de dívida privada durante períodos de crescimento económico e perceber os custos de responder muito lentamente a uma crise financeira".

E reforça: "A política orçamental pode fazer mais do que está a fazer atualmente para restaurar o crescimento, facilitar o ajustamento económico necessário após uma crise e construir resiliência para enfrentar turbulências futuras. No entanto, não o pode fazer sozinha, deve ser suportada por políticas complementares com enquadramentos credíveis".

Lusa

  • Atentado "falhado" em Nova Iorque
    1:43

    Mundo

    Uma explosão numa das zonas mais movimentadas de Manhattan fez quatro feridos, esta segunda-feira. Entre eles está o homem que transportava o engenho e que foi entretanto detido.

  • A brincadeira de um youtuber que podia ter acabado mal

    Mundo

    Um jovem youtuber inglês enfiou a cabeça num saco de plástico, prendeu-a na parte interna de um microondas e encheu depois o eletrodoméstico com cimento. A brincadeira, que podia ter acabado de forma trágica, deixou o jovem completamente preso e obrigou à intervenção dos serviços de emergência.

    SIC

  • "Popeye" russo pode ter que amputar braços

    Mundo

    Um jovem russo injetou um óleo no corpo para conseguir ter músculos, mais propriamente nos seus braços, que já cresceram cerca de 25 centímetros. Contudo, segundo um médico, o procedimento pode levar à necessidade de amputação, deixando o jovem sem os membros.

  • 10 Minutos com Leonor Beleza
    10:27

    10 Minutos

    A nossa convidada desta segunda-feira ainda é conhecida por ter sido ministra da Saúde e pelo seu trabalho à frente da Fundação Champalimaud. Mas desta vez vamos falar com Leonor Beleza sobre os 40 anos da revisão do Código Civil, em que esteve envolvida.

    Entrevista completa