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Administrador do BPI renuncia ao cargo em divergência profunda sobre OPA

(Arquivo)

© Rafael Marchante / Reuters

O administrador do BPI Edgar Ferreira renunciou esta quinta-feira ao cargo no banco após ter votado contra, e em "divergência profunda", o relatório em que o BPI considera que a Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank é "oportuna".

O relatório do Conselho de Administração do BPI, hoje divulgado pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), inclui a declaração de voto do administrador Edgar Ferreira, que assume uma "divergência profunda" com a deliberação do Conselho de Administração do banco relativamente à OPA lançada pelo espanhol CaixaBank.

Sublinhando que foi "o único administrador que não votou favoravelmente" a alienação de 2% do BFA (Banco de Fomento Angola) "pelo ridículo valor de 28 milhões de euros" e que considera que "estes atos de gestão no decorrer de uma OPA são suscetíveis de conduzir à apreciação e responsabilização judicial dos membros deste Conselho de Administração", Edgar Ferreira apresentou hoje por carta a renuncia ao cargo de vogal da administração do BPI.

Na declaração de voto anexa ao relatório da administração do banco, o administrador cessante começa por dizer que o Conselho de Administração do BPI entendeu que o preço de 1,329 euros por ação proposto na anterior OPA lançada pelo CaixaBank em 2015 "não refletia, então o valor do banco BPI", altura em que considerou que "o justo valor das ações seria de 2,26 euros" tendo desaconselhado a venda das ações.

Já no âmbito da OPA em curso, Edgar Silva refere que a administração do BPI entendeu que o preço de 1,113 euros por ação apresentado pelo CaixaBank, "não refletia o justo valor do banco BPI, o qual se cifraria agora no valor de 1,54 euros por ação".

"Mas, ao invés do sucedido em 2015, não desaconselhou aos seus acionistas a venda das respetivas ações, pelo contrário, considerou a OPA oportuna", acrescenta o administrador cessante.

Outro aspeto apontado prende-se com o negócio relativo ao controlo do BFA, considerando Edgar Ferreira que "a participação atual do BPI no BFA vale, pelo menos, 900 milhões de euros", acima dos 366 milhões em que o CaixaBank avalia esta posição.

Para o administrador cessante, "a perda do controlo do BFA representa uma perda para o Banco BPI da diferença entre o que a participação vale hoje com o que valerá após a venda dos 2%, isto é, 534 milhões de euros (900 milhões -- 366 milhões). E, consequentemente, um benefício para a Unitel de igual montante".

Edgar Ferreira critica também a "falta de coerência" do relatório da administração do BPI e considera que há "uma nítida tendência deste Conselho para ir ajustando o justo valor do banco e o argumentário associado às conveniências do momento".

"O mesmo banco BPI que no ano passado teria um justo valor por ação de 2,26 euros, em maio último já só valia 1,54 euros e agora 1,38 euros", refere.

O antigo vogal da administração do BPI defende que "existiam outras formas de resolver o problema dos grandes riscos sem que a corrente OPA tivesse de se concretizar e, sobretudo, sem que o banco BPI oferecesse (e 'oferecer' é o termo correto in casu) o controlo do BFA a uma acionista do Banco BPI, prejudicando seriamente todos os demais acionistas".

Edgar Ferreira aponta como exemplos "uma possível fusão do BFA com o CaixaAngola", uma opção que considera que "permitiria realizar a desconsolidação do BFA em Portugal, partilhando o controlo da entidade resultante (...) e criando valor para todos os acionistas do BPI", e também a possível IPO de 30% do BFA (15% do BPI e 15% da Unitel) proposta pela Unitel a 30 de outubro de 2015.

Para Edgar Ferreira, "tudo isto quer dizer única e exclusivamente que serão os demais acionistas do Banco BPI que pagarão do seu bolso (com o que deixam injustificadamente de receber) a ausência de prémio de controlo na OPA do CaixaBank e a ausência de prémio de controlo na transação do BFA".

O administrador cessante acusa a administração do BPI de estar a "trocar o controlo sobre o maior ativo do banco (com uma perda avultadíssima de valor reconhecido pelo próprio Conselho de Administração) pelo sucesso da OPA lançada pelo seu maior acionista" e conclui que "os únicos acionistas para quem esta OPA é oportuna são o próprio oferente e o(s) acionista(s) de controlo da Santoro", já que, "para os demais acionistas, é manifestamente inoportuna, com uma contrapartida manifestamente insuficiente e não equitativa".

Lusa

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