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BCP faz aumento de capital de 1,33 mil M€ e reembolsa 700 M€ ao Estado

(Arquivo)

© Kacper Pempel / Reuters

O Banco Comercial Português (BCP) vai aumentar o capital em 1,33 mil milhões de euros, usando parte desta receita para reembolsar integralmente os 700 milhões de euros em instrumentos híbridos detidos pelo Estado Português, confirmou esta segunda-feira o banco.

"O BCP pretende utilizar as receitas do aumento de capital para reembolsar integralmente os instrumentos híbridos detidos pelo Estado Português ('CoCos') prontamente após a conclusão da Oferta Pública de Subscrição", lê-se no comunicado enviado pelo BCP à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Em causa estão 700 milhões de euros em 'CoCos' (dívida que pode ser transformada em ações em determinadas circunstâncias), uma vez que o BCP tinha já reembolsado 50 milhões de euros ao Estado a 30 de dezembro de 2016.

Além disso, as receitas obtidas com esta operação vão ainda permitir ao BCP "robustecer o seu balanço", conforme salientou o banco liderado por Nuno Amado.

De resto, o BCP revelou que "recebeu já autorização do Banco Central Europeu e do Banco de Portugal para o reembolso integral dos 'CoCos'".

O preço de subscrição da oferta, que o BCP pretende que avance "no mais breve prazo", foi fixado em 9,4 cêntimos por ação, o que representa um desconto de cerca de 39% face ao valor teórico dos títulos após a operação.

A Fosun (através da sociedade luxemburguesa Chiado que pertence ao grupo chinês), que após um aumento de capital reservado concluído em meados de novembro passou a deter 16,66% do capital social do BCP, "apresentou já uma ordem irrevogável de subscrição antecipada de um número de ações que, caso seja integralmente satisfeita, lhe permita passar a deter 30% do capital social" do banco português.

De resto, no contexto da recente aprovação da alteração de 20% para 30% do limite à contagem de votos previsto nos estatutos do BCP, a petrolífera angolana Sonangol "solicitou e obteve autorização do Banco Central Europeu para aumentar a sua participação no capital do banco para até aproximadamente 30%", informou o banco.

Mas o BCP assinalou que "não tem informação a respeito de qualquer decisão da Sonangol com referência à oferta, nomeadamente quanto a exercer, alienar e/ou adquirir quaisquer direitos de subscrição".

Certo é que o aumento de capital conta com um consórcio de bancos internacionais que garantem a operação, liderado pela Goldman Sachs International e pelo J.P. Morgan Securities, e que conta ainda com o Credit Suisse Securities, a Mediobanca e a Merrill Lynch International.

Após a conclusão com sucesso desta oferta e o reembolso integral dos 'CoCos', o rácio de 'common equity tier 1' (CET1) do BCP, de acordo com a implementação total das novas regras europeias, situar-se-á nos 11,4% (em referência a 30 de setembro de 2016).

O BCP informou ainda o mercado, noutro comunicado enviado à CMVM, que foram cooptados Lingjiong Xu e João Nuno Palma para desempenharem as funções de vogais, não executivo e executivo, respetivamente, até ao termo do mandato em curso (2015-2017).

João Nuno Palma foi o administrador financeiro da Caixa Geral de Depósitos (CGD) durante o mandato da equipa de gestão liderada por José de Matos, que deixou o banco público em agosto de 2016.

Lusa

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