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Autoridades alemãs temem novo terrorismo de extrema-direita

As autoridades alemãs estão a investigar a possibilidade de os ataques a centros de acolhimento de refugiados terem por trás células terroristas de extrema-direita, noticia a revista Der Spiegel na sua edição de sábado.

© Ralph Orlowski / Reuters

Segundo a revista, o Gabinete Federal para a Proteção da Constituição (BfV), uma das três agências de serviços secretos da Alemanha, enviou a todos os seus escritórios regionais um questionário sobre atividades de extrema-direita contra candidatos a asilo.

No questionário, de três páginas, pergunta-se nomeadamente quem são os oradores nas manifestações, qual o conteúdo dos discursos e qual o nível de violência dos ataques, manifestações ou outros incidentes contra candidatos a asilo.

As informações recolhidas vão ser analisadas em conjunto com o Gabinete Federal de Segurança (BKA).

"Quando surgem este tipo de células, a situação torna-se verdadeiramente perigosa e é essa a nossa principal preocupação neste momento", disse à revista um responsável do BfV que pediu para não ser identificado.

Segundo a Der Spiegel, as autoridades regionais da polícia têm atualmente registadas 384 pessoas com potencial para serem recrutadas por grupos terroristas islâmicos, mas apenas 16 que podem representar um perigo terrorista de extrema-direita.

A vice-presidente da câmara baixa do parlamento (Bundestag) e deputada do partido A Esquerda Petra Pau, há vários anos empenhada em denunciar e combater a xenofobia, considerou que o perigo da extrema-direita é sistematicamente minimizado pelas autoridades.

"A situação atual recorda-me fatalmente a dos anos 1990", disse Pau à revista, referindo-se à serie de ataques xenófobos que levou à criação da célula terrorista neonazi Clandestinidade Nacional-Socialista (NSU) e de outros grupos violentos de extrema-direita.

Criado no final dos anos 1990, o NSU, mais tarde considerado responsável pela morte de pelo menos nove imigrantes em ataques contra imigrantes perpetrados entre 2000 e 2006, passou durante anos despercebido das autoridades, que chegaram a considerar alguns dos ataques ajustes de contas entre grupos criminosos.

Os ataques contra instalações de acolhimento de refugiados têm-se multiplicado na Alemanha, sobretudo no leste. Segundo números oficiais, o número de crimes xenófobos cometidos em 2014 no leste aumentou 40%.

A República Federal alemã é o país da União Europeia que mais refugiados acolhe. Na semana passada, o governo reviu em alta a estimativa de pedidos de asilo que deverá receber em 2015, para 800.000, cerca de quatro vezes mais que em 2014.

Lusa

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