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Crise Migratória na Europa

Particulares não vão acolher refugiados, mas podem ser mentores

O Alto-comissário para as Migrações afirmou hoje que os refugiados que vierem para Portugal não serão alojados em casas de famílias, apelando a quem queira ajudar que se inscreva como mentor, tal como já fizeram 400 portugueses.

© Yannis Behrakis / Reuters

"É importante as pessoas (...) não terem a expectativa de virem a receber refugiados em sua casa porque, de acordo com a estratégia do grupo de trabalho [da Agenda Europeia para as Migrações], a solução institucional responderá claramente a esta necessidade", disse Pedro Calado, em declarações à agência Lusa.

Segundo o responsável, foi criado um balcão único, através do site http://www.refugiados.acm.gov.pt, através do qual as instituições e os municípios se podem candidatar para acolher refugiados.

"Este é o balcão único e ao criar este site quisemos passar a mensagem clara que em Portugal quem tem autoridade para decidir dos processos de recolocação é o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras e este grupo de trabalho", explicou Pedro Calado.

No entanto, apelou a quem queira ajudar no acolhimento e na integração dos refugiados para se inscrever como mentor, algo que pode ser feito através do site https://mentores.acm.gov.pt/home, tal como já fizeram 400 portugueses.

"Um mentor significa garantir que pelo menos uma vez, de quinze em quinze dias, tem algumas horas para estar com o refugiado", explicou o responsável, acrescentando que será feita uma correspondência entre oferta e procura e que a ajuda dos mentores pode ir desde o ensino da língua, à ajuda na procura de emprego ou servir de guia na descoberta da cidade para onde o refugiado vai viver.

Segundo Pedro Calado, com base em experiências anteriores, como por exemplo com os cidadãos kosovares, o acolhimento em casa de famílias "tem tudo para correr mal", sublinhando que é uma situação muito difícil de gerir a longo prazo, já que as famílias poderão permanecer na habitação por dois, quatro ou mais anos.

"Quisemos não replicar maus exemplos do passado", afirmou, garantindo que as pessoas que vão trabalhar no acolhimento aos refugiados vão ter formação.

De acordo com o responsável, o plano de acolhimento em Portugal tem três princípios fundamentais, que passa por uma lógica institucional, evitando "ao máximo" o acolhimento em casas particulares.

Tem também uma lógica de descentralização, tentando que os refugiados não fiquem concentrados nos grandes centros urbanos, mas que sejam integrados um pouco por todo o país e, por último, assenta no princípio do comunitarismo, em que se tenta que os refugiados sejam acolhidos "no espírito de consórcio local", isto é, não fica uma única entidade responsável por resolver todas as questões, mas mobilizam-se os parceiros locais para ajudar em conjunto.

Lusa

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