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Obama reitera que quer acolher refugiados sírios apesar dos ataques

O Presidente norte-americano, Barack Obama, reiterou hoje que mantém o plano de acolher 10 mil refugiados sírios nos Estados Unidos durante 2016, apesar dos ataques da passada sexta-feira em Paris.

© POOL New / Reuters

"Vamos acolher pelo menos 10 mil pessoas que escaparam da violência na Síria durante o próximo ano", indicou Obama na sua conta oficial na rede social Twitter, referindo que estas pessoas serão submetidas a exigentes procedimentos de segurança.

Esta declaração de Obama, do Partido Democrata, é uma resposta aos cerca de 30 governadores norte-americanos, a maioria de Estados republicanos, que estão a contestar o plano de acolhimento de refugiados sírios proposto pela Casa Branca.

"Aqui, o nosso objetivo é dar refúgio aos sírios mais vulneráveis: mulheres, crianças e sobreviventes de tortura", prosseguiu o governante, acrescentando que o acolhimento dos "mais vulneráveis do mundo" não é uma novidade para os Estados Unidos.

Na mensagem, Obama frisou que os Estados Unidos têm recebido "em segurança três milhões de refugiados desde 1975".

A partir de Manila, onde está a participar na XXIII cimeira do Fórum de Cooperação Económica da Ásia e Pacífico (APEC), Barack Obama criticou a "retórica" dos dirigentes do Partido Republicano sobre a crise dos refugiados, acusando-os de estar "com medo de que viúvas e órfãos venham para os Estados Unidos no âmbito da compaixão tradicional" do país.

Várias dezenas de Estados norte-americanos, a maioria com governadores republicanos, manifestaram nos últimos dias a sua oposição ao programa de acolhimento de refugiados sírios proposto por Washington, alegando preocupações ao nível da segurança após os atentados de Paris, que fizeram pelo menos 129 mortos e mais de 300 feridos.

Na terça-feira, o presidente da Câmara dos Representantes (câmara baixa do Congresso norte-americano), o republicano Paul Ryan, pediu uma pausa no programa de acolhimento, justificando este pedido também com questões de segurança.

"A nossa nação tem sido sempre acolhedora, mas não podemos deixar que os terroristas tirem vantagem da nossa compaixão", disse, na terça-feira, Paul Ryan.

"Pensamos que a atitude prudente e responsável é fazer uma pausa neste aspeto específico do programa de refugiados, de forma a verificar que os terroristas não estão a tentar infiltrar-se na população de refugiados", acrescentou na mesma altura.

A questão dos refugiados também está a marcar a campanha presidencial norte-americana.

Vários aspirantes à nomeação presidencial republicana, nomeadamente Donald Trump, Ben Carson, Mike Huckabee ou Marco Rubio, manifestaram a sua forte oposição ao programa de acolhimento de refugiados.

Outros candidatos republicanos às presidenciais de 2016, como Ted Cruz e Jeb Bush, afirmaram que o processo de acolhimento devia dar prioridade aos refugiados cristãos sírios e não aos muçulmanos, comentários já criticados pela Casa Branca.

Na terça-feira, a ex-secretária de Estado norte-americana e aspirante à nomeação democrata para as presidenciais norte-americanas, Hillary Clinton, defendeu que o país deve abrir as portas aos refugiados sírios, admitindo, porém, a necessidade de "vetar" a entrada a alguns.

"É claro que temos de ter muito cuidado e teremos de vetar pessoas", afirmou Hillary Clinton, numa ação de campanha em Austin, no conservador Estado do Texas.

Lusa

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