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Campanha para eleições em Espanha arranca com eleitores desanimados

A campanha para as eleições gerais de 26 de junho em Espanha arranca esta sexta-feira num clima de desânimo generalizado dos eleitores, chamados a uma nova votação seis meses depois da última vez em que foram às urnas.

© Paul Hanna / Reuters

As principais forças políticas do país vizinho foram incapazes, desde 20 de dezembro último, de chegar a um acordo que viabilizasse um novo governo estável e as últimas sondagens indicam que a correlação de forças se irá manter.

A grande novidade desta campanha é a aliança decidida em maio último entre o Podemos (da Esquerda radical, formados há menos de dois anos na sequência de manifestações populares e que apoiaram o Syriza na Grécia) e a Esquerda Unida (formação que integra os comunistas tradicionais), que pode vir a ultrapassar o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, os socialistas tradicionais) e tornar-se na segunda maior força política espanhola.

A liderar as intenções de voto continua a estar o Partido Popular (PP, direita tradicional) liderado pelo presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, que poderia obter 27,7% a 31% dos votos, segundo sondagens publicadas no último fim de semana pelos diários El Pais, El Mundo e Espanol.

O resultado é comparável ao que o PP obteve a 20 de dezembro último, nas eleições gerais, (28,7%) e que não permitiu que houvesse uma maioria parlamentar e se formasse um governo.

As mesmas sondagens indicam que os socialistas do PSOE poderão descer do segundo para o terceiro lugar, com 20,2% a 21,6% dos votos, enquanto a aliança Unidos Podemos (UP), que congrega o Podemos e a Esquerda Unida, poderia alcançar entre 23,7% a 25,6% dos votos.

O PSOE lidera tradicionalmente a Esquerda em Espanha, mas tem vindo a perder apoio desde as eleições gerais de 2011, quando foram afastados do poder pelo PP.

Em dezembro passado, os socialistas obtiveram 22% dos votos, logo seguidos pelo Podemos com 20,7%.

O partido centrista Ciudadanos poderá alcançar entre 14% a 16,6% dos votos, segundo as sondagens divulgadas, quando em dezembro de 2015 obteve 13,9% dos votos.

Os resultados da última sondagem, publicada no início da semana pelo Centro de Investigações Sociológicas (CIS), revelam um estado de desânimo generalizado entre os eleitores do país vizinho.

Cerca de 82,3 % dos entrevistados qualifica a situação política espanhola como "má" ou "muito má", com quatro em cada 10 pessoas a considerar que a situação atual é pior do que há um ano e apenas 5,6% a acreditar que irá melhorar nos próximos 365 dias.

O líder do PP, Mariano Rajoy promete uma "campanha positiva" e assegura que o atual governo está "no caminho certo" e que os problemas económicos de Espanha "estão a diminuir".

A Espanha está a ser governada por um executivo de gestão, com poderes limitados, desde 20 de dezembro passado.

Os últimos dias da pré-campanha foram marcados pela tentativa do líder do Podemos, Pablo Iglesias, de se catalogar como a "nova social-democracia", tentando penetrar no espaço tradicional do PSOE algumas semanas depois de ter concluído a aliança com a Esquerda Unida.

O PSOE, liderado por Pedro Sánchez, acusou prontamente Pablo Iglesias de estar a fazer "a maior operação de camuflagem política da história recente de Espanha" e recordou que o Podemos é "a esquerda anticapitalista e uma amálgama de mais de 20 pequenos partidos que defendem desde a nacionalização da banca até ao direito à autodeterminação" das regiões autónomas espanholas.

De acordo com vários observadores, se os resultados das sondagens se confirmarem nas urnas, a 26 de junho, os socialistas terão de enfrentar uma escolha difícil.

Ao terem de apoiar o PP para formar governo, os socialistas correm o risco de alienarem os apoiantes mais à esquerda, mas se apostarem num governo do Podemos estarão a comprometer o apoio dos seus eleitores mais ao centro.

Lusa

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