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Corrupção na FIFA

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Blatter diz que não apoiará nenhum dos candidatos à sua sucessão

O suíço Joseph Blatter, presidente demissionário da FIFA, suspenso de todas as funções no futebol no âmbito do escândalo de corrupção que abalou a instituição, afirmou hoje que não apoiará nenhum dos candidatos à sua sucessão.

Matthias Schrader

"Quatro dos candidatos falaram comigo. Não vou tomar partido, não é possível", indicou, em entrevista à estação de rádio francesa RMC.

Os candidatos à presidência da entidade que tutela o futebol mundial são o antigo vice-secretário-geral da FIFA Jérôme Champagne, o secretário-geral da UEFA Gianni Infantino, o empresário sul-africano Tokyo Sexwale, o príncipe jordano Ali bin al Hussein e o presidente da Confederação Asiática, xeque Salman Bin Ebrahim Al Khalifa.

As eleições estão agendadas para 26 de fevereiro.

"Várias federações contactaram-me para saber em quem votar. Disse-lhes que decidissem de acordo com a sua consciência", afirmou.

Blatter e Michel Platini, presidentes das duas maiores instituições internacionais de futebol, FIFA e UEFA, foram suspensos pelo Comité de Ética da FIFA por oito anos devido a um controverso pagamento, considerado ilegal, de 1,8 milhões de euros em 2011 por alegado trabalho de consultadoria realizado pelo francês nove anos antes, em 2002.

O pagamento em 2011 por serviços prestados em 2002 foi efetuado com base num contrato verbal, de acordo com Platini, um tipo de compromisso aceite na Suíça.

Os dois dirigentes foram punidos por "abuso de posição" e "conflito de interesses".

"Platini é inocente, tal como eu. É um assunto contabilístico, não de ética. Havia um contrato [oral] que devia ser respeitado", apontou Blatter, adiantando que desde setembro do ano passado não fala com o presidente suspenso da UEFA.

Na entrevista, Blatter manifestou-se ainda desapontado com o escândalo de corrupção no organismo a que presidia desde 1998.

"Foram pessoas provenientes da América do Norte e do Sul que cometeram delitos nas suas confederações (...) não posso ser eu a sua consciência moral", advogou.

O suíço anteviu ainda dificuldades para o seu sucessor "pôr em marcha as reformas" que iniciou.

A FIFA foi abalada por um escândalo de corrupção em maio do ano passado, a dois dias da reeleição de Joseph Blatter como presidente do organismo máximo do futebol mundial, num processo aberto pela justiça dos Estados Unidos e que levou à acusação de 14 dirigentes e ex-dirigentes.

No início de junho, Blatter apresentou a demissão, abrindo o caminho para novas eleições, que foram marcadas para 26 de fevereiro de 2016.

A 25 de setembro, o Ministério Público suíço instaurou um processo criminal a Blatter, que foi interrogado na qualidade de arguido, por suspeita de gestão danosa, apropriação indevida de fundos e abuso de confiança.

Lusa

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