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Queda do BES

"Não houve qualquer desvio de fundos"

"Não houve qualquer desvio de fundos"

O antigo líder do BES Ricardo Salgado disse hoje que "não houve qualquer desvio de fundos" e o dinheiro do banco "não foi para os bolsos dos acionistas, entre os quais se encontrava a família Espírito Santo".

"O dinheiro não foi para os bolsos dos acionistas, entre os quais se encontrava a família Espírito Santo. Mas o dinheiro não desapareceu. (...) O relatório elaborado pela KPMG sobre a Espírito Santo International (ESI) demonstra que não houve qualquer desvio de fundos", declarou Salgado na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

De acordo com o ex-banqueiro, "basta ver, com atenção, as contas do BES do primeiro semestre de 2014 e as contas do Novo Banco, que foram divulgadas em 09 de março de 2015, para concluir que não houve desvio de dinheiro".

A 30 de junho de 2014, o BES tinha um capital próprio de 3.732 milhões de euros e o custo com imparidades e contingências registado nas contas consolidadas do banco relativo a reforço de provisões e similares ascendia a 4.253 milhões de euros.

"Ou seja, o reforço das provisões e similares registado, no final do primeiro semestre de 2014, ascendia a quase seis vezes mais do que um ano antes", frisou Ricardo Salgado.

As provisões, prosseguiu, não implicaram a saída de dinheiro de caixa, aquando da sua constituição.

Apesar das contas do BES apresentarem em junho de 2014 um capital próprio de 3.732 milhões de euros, ativos por impostos diferidos de 1.940 milhões e um custo com imparidades e contingências - incluindo provisões e similares - no valor de 4.253 milhões de euros, a verdade é que "os acionistas e os clientes de papel comercial, que estavam em processo de reembolso, nada receberam".

"Tudo, então, indica que foi o Novo Banco quem beneficiou. Isto é, o dinheiro não desapareceu. Os ativos transitaram para o Novo Banco, por decisão do regulador. Aliás, pode verificar-se que, no balanço de abertura do Novo Banco, os ativos por impostos diferidos que foram transferidos do BES para o Novo Banco não foram apenas os 1.940 milhões de euros registados nas contas de 30 de junho, mas sim 2.865 milhões de euros, que foram registados em 4 de agosto de 2014", sublinhou Ricardo Salgado.

E acrescentou: "Lamento, profundamente, todos os que foram prejudicados pelo desfecho da situação do BES/GES e nunca esqueci ou esquecerei os clientes, colaboradores e acionistas, que em nós confiaram". 

O antigo banqueiro afiançou ainda que vai lutar "até ao limite" das suas forças pela sua honra.

"Apesar de todos os erros que possa ter cometido ao longo de uma vida de trabalho, de uma coisa tenho a certeza: nunca, em momento algum, tive intenção de prejudicar os interesses do BES, dos seus clientes, colaboradores e acionistas", realçou.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e a audição de hoje de Salgado é a primeira repetição nesta comissão.

A última audição prevista para a comissão de inquérito é a da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, que prestará novo depoimento perante os deputados na próxima quarta-feira. 

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo "apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades".


Com Lusa
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