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"Banco mau" com "buraco" financeiro de 2,4 mil milhões de euros

O Banco Espírito Santo (BES), o 'banco mau', anunciou esta sexta-feira que tinha um 'buraco' financeiro de 2,4 mil milhões há um ano, após a resolução do Banco de Portugal a 3 de agosto de 2014.

(Arquivo)

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Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a instituição agora liderada por Luís Máximo dos Santos revelou o balanço do 'banco mau' a 4 de agosto do ano passado e a conclusão é que, entre o ativo e o passivo, existe um 'buraco' de 2.421 milhões de euros.

Na altura, o Banco de Portugal transferiu para o BES 'mau' um património avaliado em 193,4 milhões de euros, mas as suas responsabilidades, ou seja o passivo, era de 2.614 milhões de euros, o que dá um total de capital próprio negativo de 2.421 milhões de euros.

Na 'fotografia' tirada às contas do BES 'mau' a 4 de agosto de 2014, do passivo de 2,6 mil milhões de euros, cerca de mil milhões são provisões para fazer face "a determinadas contingências devidamente identificadas", como, por exemplo um montante de 667,6 milhões de euros "relacionados com dívida emitida pelo Grupo Espírito Santo e subscrita por clientes de retalho do BES". Ou seja, o montante que a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) vêm reclamando junto do Novo Banco e do Banco de Portugal.

Aliás, esta questão já tinha sido levantada pelo presidente do BES 'mau' quando em fevereiro, na comissão de inquérito parlamentar do BES e GES disse que "a provisão não se evaporou" e que estaria registada nas contas do 'banco mau'.

Luís Máximo dos Santos adiantou, no entanto, que, "por muito extraordinariamente eficiente que fosse a administração do banco", não se antevia que pudesse "haver recursos suficientes porque, com os ativos que temos, o grau de recuperabilidade é baixo".

Nessas provisões também estão incluídos 271,9 milhões de euros para "determinadas obrigações para o BES, no âmbito da aquisição por parte de clientes venezuelanos de dívida emitida pelo Grupo Espírito Santo".

No passivo do banco está também o empréstimo de 834,6 milhões de dólares (760 milhões de euros) contraído pelo BES à Oak Finance, uma sociedade veículo do banco Goldman Sachs, e que não foi transferida para o Novo Banco por decisão do Banco de Portugal.

Ainda hoje os tribunais britânicos decidiram que a disputa entre o Novo Banco e o Goldman Sachs deve ser decidida no Reino Unido, sendo uma decisão que contraria as pretensões do Novo Banco que queria que o caso fosse julgado em Portugal, alegando que os tribunais portugueses são os mais competentes sobre o assunto.

O Goldman Sachs quer garantir que a dívida é paga pelo Novo Banco apesar de o Banco de Portugal ter decidido transferir a dívida para o BES, onde a probabilidade de reembolso é altamente remota.

O balanço indica também que o resultado líquido no dia 4 de agosto de 2014 era de um prejuízo de 8.947 milhões de euros.

Lusa

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